
Onde Comer em Bariloche: Restaurantes que Vale a Pena
Escrito por
Gabriel e Dominique
Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pacheco, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.
⚡ Resposta rápida
Onde comer em Bariloche não tem resposta curta, mas tem resposta honesta: são quatro paradas que a gente frequenta desde que chegamos aqui e não para de indicar. El Boliche de Alberto para cordeiro e bife na brasa (3 endereços, sem reserva, prepara que tem fila), La Fonda del Tío para milanesa na Mitre 1130, Mamuschka para chocolate e uma das mais de 40 cervejarias artesanais da cidade para fechar. Centro dá pra fazer a pé; Avenida Bustillo pede carro.
- El Boliche de Alberto: cordeiro e bife na brasa, 3 endereços, não aceita reserva
- Chocolate: Mamuschka desde 1989, 110 tipos diferentes, e a gente ainda não zerou o cardápio
- Cerveja: mais de 40 cervejarias artesanais, a Berlina abriu em 2004
O cheiro de cordeiro na brasa já toma a Avenida Bustillo antes de você achar vaga. É aí que a gente entende que onde comer em Bariloche não tem uma resposta única, tem um roteiro. A cidade na beira do Lago Nahuel Huapi virou capital argentina de duas coisas: brasa e chocolate. E no meio disso ainda tem milanesa que ocupa o prato inteiro, truta defumada saída dos lagos aqui do lado, cerveja artesanal direto do tanque e refúgio de montanha com chocolate quente na neve. Surreal. A gente come por essa cidade há 3 anos. Isso aqui é o guia que a gente queria ter tido na primeira vez que chegamos.
Índice
- Onde comer parrilla em Bariloche (e a verdade sobre El Boliche)
- Milanesa e truta: onde comer os pratos típicos de Bariloche?
- Chocolate em Bariloche: quais chocolaterias realmente valem
- Cervejaria artesanal: qual pedir o quê
- Onde comer nos cerros (Catedral e Otto)
- Filas, alta temporada e comer com o carro: como se virar?
Onde comer parrilla em Bariloche (e a verdade sobre El Boliche)
Cordeiro patagônico na brasa é quase obrigação em Bariloche. E o endereço que aparece em toda lista, de toda pessoa que já passou pela cidade, é o El Boliche de Alberto. São três unidades: Calle Villegas 347, Calle Elflein 158 e Avenida Bustillo Km 8800. Cordeiro e bife de chorizo na brasa, sem reserva em nenhuma das três. Já vai sabendo disso, e, como quase tudo por aqui, política de reserva e horário mudam sem avisar, então confirma antes de sair de casa.
Pois é, a gente fala a verdade logo de cara pra você não frustrar: El Boliche é gostoso, é tradicional e vale ir sim. Mas é o restaurante mais turístico de Bariloche, e isso aparece na fila do lado de fora em época de pico. A carne é boa, a porção é generosa (uma costela de cordeiro serve dois tranquilamente) e, pro tanto que vem, é bem em conta pra uma parrilla tradicional. Só que se você chegar esperando a melhor carne da sua vida, pode sair com a sensação de que foi muito boa, e não muito mais que isso. Vai pela tradição e pelo cordeiro, não esperando revolução.
Milanesa e truta: onde comer os pratos típicos de Bariloche?
Se tem dois pratos que aparecem em todo cardápio de Bariloche, são a milanesa e a truta. A milanesa argentina é nossa conhecida bife à milanesa, só que vem do tamanho do prato, de verdade, o negócio é sério. A mais falada da cidade é a da La Fonda del Tío, na Calle Mitre 1130: o guia Taste Atlas elegeu "melhor milanesa do mundo" e, olha, a fama faz sentido. E não pesa no bolso: uma milanesa dessas divide entre dois de boa, então sai baratinho por cabeça. Já a truta é do Lago Nahuel Huapi, água gelada, peixe gordo, e você encontra defumada nas cartas mais bacanas da cidade.
A Avenida Bustillo, aquela estrada que margeia o lago em direção ao Circuito Chico, esconde os endereços que a maioria dos brasileiros passa batido. O El Mallín, no Km 11,6, é onde a gente manda a galera pra truta: o tartar e a bruschetta de truta defumada são o motivo de ir até lá. E não assusta na conta, fica no meio-termo, dá pra provar a truta sem pesar. Mais adiante, no Km 19,7, o Quiven Patagonia já apareceu no top 3 do TripAdvisor de Bariloche em 2024, com uma cozinha patagônica autoral que realmente merece o posto. É o mais caro dessa lista, então guarda ele pra um jantar especial, com calma, sem pressa. Fica a dica: esses dois pedem carro ou o ônibus da linha 20, porque estão espalhados ao longo de mais de 20 km de Bustillo.
| Restaurante | Endereço | Vá por causa de |
|---|---|---|
| El Boliche de Alberto | Villegas 347 / Elflein 158 / Bustillo Km 8800 | Cordeiro e bife na brasa (sem reserva) |
| La Fonda del Tío | Calle Mitre 1130 (centro) | A milanesa premiada pelo Taste Atlas, do tamanho do prato |
| El Mallín | Av. Bustillo Km 11,6 | Tartar e bruschetta de truta defumada |
| Quiven Patagonia | Av. Bustillo Km 19,7 | Cozinha patagônica autoral, top 3 no TripAdvisor (2024) |
| Familia Weiss | Vice Alte O'Connor 401 (10h às 23h30) | Comida de montanha, defumados, fondue |
Chocolate em Bariloche: quais chocolaterias realmente valem
A Calle Mitre é uma vitrine atrás da outra, e sim, a gente entrou em todas que pareciam boas. A Mamuschka, fundada em 1989, é a queridinha da galera: 110 tipos diferentes de chocolate, salão colorido que já virou ponto de foto obrigatório. Se você tem só uma tarde no centro, começa ali.
Pois é, o negócio é que essa fama toda tem história. A primeira chocolateria de Bariloche surgiu na década de 1940, criada pelo italiano Aldo Fenoglio. E foi dela que nasceram as marcas que você vê por toda a Calle Mitre hoje: Rapa Nui, Del Turista e Tronador. A Del Turista, aliás, tem uma academia bem em cima da loja, a gente treinou lá por quase um ano olhando pro chocolate embaixo. Tortura deliciosa. Meio mundo do chocolate barilochense tem a mesma raiz. Ah, e a antiga Chocolatería Fenoglio foi comprada pela Havanna na década de 1970, daí surgiu o Museo del Chocolate Havanna que existe na cidade até hoje. Saber disso muda o passeio: você não tá só comprando bombom, tá andando por uma linhagem de quase 80 anos.
"A Mamuschka faz 110 tipos de chocolate; a cidade inteira de chocolate começou com uma só loja, em 1940."
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Cervejaria artesanal: qual pedir o quê
Bariloche tem mais de 40 cervejarias artesanais, e a galera leva isso tão a sério quanto o chocolate. A gente fala e as pessoas acham exagero. Não é. Cada cervejaria tem uma personalidade própria, e saber qual estilo pedir em cada uma faz toda a diferença. As quatro que a gente sempre indica são Berlina, Antares, Bachmann e a Microcervecería Patagonia.
A Berlina, fundada em 2004, é uma das mais antigas da cidade. Se você curte encorpado, vai direto na Foca Negra, uma stout escura e cremosa que justifica a parada. Prefere algo mais leve? A Patagonia Golden resolve. A Antares chegou em 2006 e é a pedida certa pra quem não sabe o que quer: são 10 estilos fixos no menu mais os sazonais, dá pra ficar um tempo só experimentando. A assinatura deles é a Scotch Ale. A Bachmann tem uma história curiosa: a família chegou a Bariloche em 1907 e só abriu a cervejaria em 1999. Hoje tem duas unidades, uma no centro e outra na Playa Centenario, boa pra sentar com vista e não ter pressa. Já a Microcervecería Patagonia fica no Km 24,7 do Circuito Chico, tem tour pela produção e uma vista pro lago Nahuel Huapi que a gente ficou sem palavras na frente. Detalhe importante: reserva pro salão principal é necessária. Sem reserva, dá pra comprar uma ficha e tomar em qualquer cantinho do espaço, a vista é a mesma de qualquer ponto.
| Cervejaria | Desde | Peça |
|---|---|---|
| Berlina | 2004 | Foca Negra (stout) ou a Golden leve |
| Antares | 2006 | Scotch Ale (10 estilos fixos no menu) |
| Bachmann | 1999 (família desde 1907) | Rubia ou Roja, com vista na Playa Centenario |
| Microcervecería Patagonia | Circuito Chico Km 24,7 | Faça o tour e beba olhando o Nahuel Huapi |
Onde comer nos cerros (Catedral e Otto)
Quem passa o dia esquiando no Cerro Catedral ou subindo o Cerro Otto em algum momento trava na mesma dúvida: onde almoçar lá em cima? A boa notícia, galera, é que dá pra comer com vista de montanha de verdade, não é papo de folheto não. Pra você não se perder, a gente separou os quatro pontos que valem a parada:| Lugar | Onde fica | O que pedir (e o papo real) |
|---|---|---|
| Refúgio Berghof | Cerro Otto, acesso pelo Km 4,8 da Avenida Bustillo, subindo o caminho de terra, e uns 10 minutos a pé pela neve na reta final | Menu fechado que termina em chocolate quente. É a antiga casa do pioneiro Otto Meiling e só abre no inverno. O mais salgado dos cerros: você paga pela experiência inteira, não por um prato avulso, mas é um rolê que praticamente nenhum blog brasileiro conta, e a gente fica sempre besta com isso. |
| Confeitaria Giratória | Cerro Otto, Avenida de los Pioneros Km 5 | Café com vista girando 360° enquanto o Nahuel Huapi, a cidade e as montanhas passam pela janela devagarzinho. O ingresso do teleférico costuma dar direito à visita (confirmar antes, políticas mudam), então já entra no valor da subida, você não paga um café caro à parte. Muito maneiro. |
| Rocco Bar | Cerro Catedral, na base, na vila de esqui | Pizza e hambúrguer depois de um dia na neve, sem drama e com conta camarada pro que é comida de estação de esqui. Salva a vida de quem desce faminto. |
| Refúgio Lynch | Cerro Catedral, lá em cima, a uns 2.000 metros, subindo de teleférico | Chocolate quente e petisco de montanha. Você paga um tiquinho a mais pela altitude, mas a vista dá vontade de ficar, perfeito entre uma descida e outra. |
Filas, alta temporada e comer com o carro: como se virar?
Julho em Bariloche é o pico da alta temporada de inverno, que bate junto com as férias escolares argentinas. Resultado: os clássicos ficam lotados e as filas aparecem do nada. A El Boliche de Alberto não aceita reserva, então a galera se acumula na porta mesmo. A regra que não falha: chegar na abertura, tanto no almoço quanto no jantar. Só que jantar na Argentina começa tarde de verdade, tipo 20h30, 21h. Chegar às 19h esperando sentar não vai rolar.
O que vestir em Bariloche?
Bariloche exige roupas certas para o frio. Fizemos um guia completo com tudo que você precisa levar na mala. E tem cupom de 10% na The North Face esperando por você lá.
👉 Seleção de Roupas para o FrioPra quem viaja de carro ou motorhome, como a gente, o jogo é outro. Vale abastecer nos supermercados locais, as redes La Anónima e Todo têm boas unidades na cidade, e passar pelas feiras também. Cozinhar parte das refeições guarda a grana pra gastar onde realmente vale o rolê. E olha, a gente já foi convidado pra uma pizza feita na churrasqueira num camping, com fogueira e vinho, e às vezes a melhor mesa da viagem é essa, montada ali na beira de um acampamento. Restaurantes com estacionamento pra veículos grandes estão mais na Avenida Bustillo do que no centro apertado, onde encontrar vaga é perrengue garantido.
E já que muita gente pergunta: dá pra comer com cachorro? O Pacheco, nosso pug, vai com a gente em tudo, e a real é que a maioria dos restaurantes de salão fechado aqui não deixa o bicho entrar na parte interna, no frio dá até pra entender. O truque que sempre funciona é ficar nas mesas de fora: os decks e pátios ao longo da Avenida Bustillo e os jardins das cervejarias (a Patagonia lá no Circuito Chico, com aquele gramadão de frente pro lago, e a Berlina) costumam ser de boa com o cão do seu lado, ao ar livre. E nos cerros e refúgios, aí sim o Pacheco anda solto e feliz da vida. Fica a dica: liga antes e pergunta pela parte externa, que é onde o rolê com pet rola tranquilo.
Se você quer entender a lógica geral da viagem antes de escolher onde comer, vale ler também o que fazer em Bariloche e a melhor época para ir para Bariloche, porque a estação muda muita coisa, inclusive quais refúgios estão abertos. E se a ideia é encarar as trilhas até esses refúgios com quem conhece o caminho, a gente leva grupos de trekking pela região pela Vale Trips, comendo bem no fim de cada dia.
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Conclusão: monte seu roteiro de sabores
Depois de comer por essa cidade há 3 anos, o conselho de quem mora aqui é sobre ordem, não sobre lista. Com poucos dias, resolve o centro primeiro, é tudo a pé e você mata parrilla, milanesa e chocolate quase na mesma caminhada, sem gastar tempo de estrada. Guarda a Avenida Bustillo e o Circuito Chico pro dia que pegar carro, com calma, que é lá que estão a truta e as cervejarias com vista. E deixa os cerros pro dia de montanha, porque ali a comida vale pelo contexto, não pelo prato. Se der pra priorizar um só pra não errar: parrilla de cordeiro no primeiro almoço, chegando na abertura, que fila em Bariloche é bem real. Fica a dica. E se bater vontade de emendar as trilhas da região com comida boa no fim de cada dia, chama a gente no WhatsApp da Vale Trips, bora junto num grupo pequeno.
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❓ Perguntas frequentes sobre gastronomia em Bariloche
Os restaurantes de Bariloche aceitam cartão ou precisa de dinheiro?
A maioria dos restaurantes de salão aceita cartão numa boa, pode ir tranquilo. Mas guarda uns pesos em espécie no bolso, galera, porque refúgio de montanha, feira e barraquinha muitas vezes só rolam no dinheiro vivo, e lá nos cerros nem sempre tem sinal pra maquininha funcionar. Fica a dica: cartão internacional às vezes puxa uma taxa chata, então pergunta se tem desconto pagando em espécie, que em vários lugares tem e ninguém te conta.
Tem opção vegetariana nos restaurantes de Bariloche?
Tem, e mais do que a fama de terra do cordeiro faz parecer. Milanesa de berinjela, provoleta na chapa, empanadas de verdura, pizza e as tábuas de queijo salvam qualquer vegetariano por aqui. As cervejarias costumam ter opção sem carne também. Fica a dica: vegano é mais puxado, porque queijo entra em quase tudo, nesse caso, avisa na hora de pedir que a galera se vira pra adaptar.
Bariloche é bom para comer com crianças?
Muito bom, sério. Chocolate, milanesa, pizza, qualquer criança aprova na hora. E a Confeitaria Giratória do Cerro Otto vira um passeio por conta própria só pela vista girando 360°, que demais. Ah, e as porções argentinas são generosas pra caramba. Normalmente um prato serve bem duas crianças pequenas.
Quanto tempo reservar para comer bem em Bariloche?
Com 4 a 5 dias você prova o essencial sem correria: uma parrilla de cordeiro, uma milanesa caprichada, truta defumada lá na Bustillo, a rodada de chocolate no centro e uma cervejaria artesanal. Se tiver um dia de montanha no roteiro, encaixa um almoço nos cerros que já vira programa duplo.
Dá pra comer bem em Bariloche gastando pouco?
Dá, e com folga, meu povo. O truque é misturar: uma milanesa dessas divide fácil entre dois, empanada e pizza quebram um galho barato, e o vinho argentino é bom e em conta que é uma beleza. Quem viaja de carro ou motorhome, como a gente, cozinha parte das refeições e junta a grana pra estourar num jantar especial, tipo a truta lá na Bustillo. Fica a dica: não come todo dia no lugar mais turístico, porque ali parte do que você paga é pela fila. Alterna um clássico com um endereço fora do óbvio e a viagem inteira sai mais em conta.



