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O que você encontra aqui?
Gabriel e Dominique
Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pacheco, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.
⚡ Resposta rápida
A Laguna Negra é uma trilha de dia inteiro em Bariloche: 14 km ida e volta, 800 m de desnível e 5 a 7 horas de caminhada até um lago escuro a 1.609 m, onde fica o Refúgio Manfredo Segre. Vale demais para quem quer água disponível em todo o percurso, a chance de pernoitar com a Moon Party e um caminho com bem menos gente que o Frey.
- Começa na Colônia Suíça, a cerca de 25 km do centro, com acesso de ônibus (linhas 10 ou 13)
- Dificuldade média, temporada de dezembro a abril, e o trecho final do Caracol é o mais puxado de todos
- Refúgio para 60 pessoas no alto: pode virar bate e volta ou pernoite com vista para o lago
A Laguna Negra aparece de repente depois de 10 km de subida. Uma água quase preta encaixada a 1.609 metros entre paredões de granito, o tipo de recompensa que faz a perna esquecer o cansaço. Diferente do Frey, que vive lotado nos fins de semana, essa trilha entrega a mesma paisagem de alta montanha com bem menos gente no caminho. A gente conhece esse trecho de perto: moramos em Bariloche e o Gabriel já subiu pra Laguna Negra mais de vinte vezes. Então bora ver como é a Laguna Negra Bariloche: como chegar sem carro e para quem essa trilha compensa de verdade.
O que é a Laguna Negra e como chegar sem carro
A Laguna Negra fica dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, a uns 25 km do centro de Bariloche, e é um daqueles lagos de altitude que a gente não esquece. A trilha começa na Colônia Suíça, num ponto a cerca de 300 metros do puente del Arroyo Goye, na Rota Provincial 79. Quem vai sem carro chega tranquilo: as linhas 10 ou 13 partem do centro direto pra Colônia Suíça, e a linha 10 passa a cada 30 minutos, das 5h30 às 21h. Só confirme antes de ir, horários e condições mudam.
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Mas tem uma coisa que pega muita gente de surpresa: cão não entra na trilha. É Parque Nacional, regra sem exceção. A gente sabe bem disso porque viaja com o Pacheco, nosso pug de 14 anos, e tivemos que deixar ele numa hospedagem pet friendly em Bariloche naquele dia. Não foi simples, mas é o que é. Quem planejar a trilha contando levar o bicho junto vai ter uma surpresa bem na largada. Fica a dica: resolve o pet antes de montar o roteiro do dia.
Endereço de referência para o GPS: Colônia Suíça, Bariloche. Se você está montando o roteiro pela cidade, nosso guia de o que fazer em Bariloche ajuda a encaixar a Laguna Negra entre os outros passeios.
Como é a trilha da Laguna Negra: distância e dificuldade
O Gabriel já perdeu a conta, são mais de 20 subidas aqui, e a Laguna Negra não enjoa. São 14 km ida e volta, com 10 km de subida e 800 m de desnível acumulado. O Club Andino Bariloche classifica como dificuldade média, e faz sentido: são de 5 a 7 horas de caminhada dependendo do ritmo, com um trecho final que não perdoa quem chegou sem preparo. A temporada vai de dezembro a abril. Fora desse janelo a parte alta enche de neve e gelo, e aí a conversa muda completamente.
O começo é generoso, a gente avisa. Os primeiros quilômetros sobem suave, acompanhando o arroio em meio à floresta nativa, e enganam a perna: dá a impressão de que vai ser tranquilo o tempo todo. A inclinação vai crescendo aos poucos, e é na reta final que a trilha mostra a real. Pois é, o desnível não é brutal, mas se concentra nos últimos trechos, justo quando você já caminhou horas e as pernas começam a cobrar a conta.
Calcule a volta pelo horário do último ônibus na Colônia Suíça, não pela sua vontade de ficar no lago. Se a trilha leva de 5 a 7 horas e você quer descansar lá em cima, saia do centro no primeiro horário possível. Voltar no escuro num trecho de pedra solta é o tipo de perrengue que dá pra evitar com planejamento.
| Dado da trilha | Laguna Negra |
|---|---|
| Distância | 14 km ida e volta (10 km de subida) |
| Desnível | 800 m de acúmulo na subida |
| Duração | 5 a 7 horas (subida + descida) |
| Dificuldade | Média |
| Altitude do refúgio | 1.609 m (Manfredo Segre) |
| Temporada | Dezembro a abril |
| Ponto de partida | Colônia Suíça, ~25 km do centro |
Bota com boa aderência não é frescura: o terreno alterna raiz, pedra e trechos soltos, e escorregada faz parte de quem subestimou o calçado. Mesmo no verão a parte alta venta e esfria rápido, a Domi não sai sem pelo menos duas camadas, e um corta-vento na mochila é lei. Fica a dica: se ainda não sabe o que esperar do clima em Bariloche em cada mês, dá uma olhada na temperatura em Bariloche antes de marcar a data.
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O Caracol e a água na trilha: o que ninguém te conta
Os primeiros 9 km são gostosos de andar. Aí aparece o Caracol. É uma subida em espiral, zigue-zague fechado, que chega justamente quando você já tá cansado. As pernas pesam, o fôlego encurta e o que parecia logo ali demora a chegar. Saber que esse trecho existe antes de sair muda a equação: você dosa a energia no começo em vez de chegar no mais difícil já na reserva.
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A boa notícia é a água. Diferente do acesso ao Frey, que tem trechos áridos e pede uns 2 litros desde a base, na Laguna Negra você encontra arroios ao longo de quase todo o percurso. O lugar certo pra reabastecer é o Arroyo Navidad, logo antes do Caracol: enche a garrafa fresquinha ali e sobe mais leve pro trecho mais puxado. Mochila leve no começo faz diferença real numa trilha de dia inteiro.
“Na Laguna Negra você recarrega água no caminho. Encha tudo no Arroyo Navidad antes do Caracol e suba mais leve para o trecho que esgota.”
Mesmo assim, não saia sem reserva: 1,5 L na mochila garantem que pouca vazão no fim da temporada não vira perrengue. A Domi correu por aqui na prova dos 4 Refúgios e avisa: entre o Refúgio Jakob e a Laguna Negra é o segmento mais técnico da prova, com pedra solta a partir de certo ponto. Na descida, com o cansaço já batido, esse chão pede bota firme e atenção redobrada.
Guarde energia para o Caracol em vez de queimar tudo no começo gostoso. A regra que a gente aprendeu em 5 anos de montanha é simples: não se preocupe com o topo, só com o próximo passo. Assim você chega no trecho duro com perna e curte o lago no lugar de só sobreviver até ele.
Dormir no Refúgio Manfredo Segre e a Moon Party
O Refúgio Manfredo Segre fica bem na beira da Laguna Negra, a 1.609 m de altitude, com espaço para umas 60 pessoas entre dormitório e camping. A trilha tem dois jeitos de aproveitar: bate e volta no mesmo dia, ou você dorme lá em cima e acorda com a laguna na porta. Reserva sai pelo Club Andino Bariloche, e nos fins de semana de verão as vagas somem rápido. O pernoite é camarada pro que você ganha, dormir a 1.609 m num refúgio de montanha, com o jantar acertado direto com o refúgio na hora da reserva.
O maior barato desse refúgio, que o Frey e o Jakob não têm, é a Moon Party: uma festa noturna que rola nos sábados perto da lua cheia, de janeiro a março. Terminar a subida do Caracol, jantar no refúgio e curtir música com a montanha toda iluminada pela lua a 1.609 m é uma experiência e tanto. É motivo de sobra pra escolher a data pelo calendário lunar, coisa que quase ninguém pensa quando planeja a Laguna Negra. Se quer a experiência completa, mira um sábado de lua cheia no verão e reserva logo.
Pernoitar também resolve aquela correria de horário: você não fica refém do último ônibus na Colônia Suíça e ganha de brinde um amanhecer de montanha que não tem preço. Quem prefere o bate e volta calcula bem a janela de luz e tá feito. Em qualquer caso, leva saco de dormir e roupa de frio mesmo no verão, porque a noite a 1.600 m é gelada. Antes de subir, confirma com o Club Andino Bariloche o que tem disponível de comida e estrutura na temporada, pode variar.
Reserve o refúgio com antecedência se a sua data cair num sábado de Moon Party, entre janeiro e março. São só 60 vagas para dormir, e nessas noites de lua cheia elas esgotam primeiro. Telefone e reservas saem pelo Club Andino Bariloche, no centro da cidade.
Laguna Negra ou os refúgios clássicos? Para quem vale mais
Depende do que você quer da trilha. O Frey é o queridinho de Bariloche, todo mundo vai lá, e você vai encontrar gente nos dois sentidos do caminho. O López tem a subida mais brutal, mas quem chega no topo entende por que tanto argentino diz que é a melhor vista da Patagônia. O Jakob é o mais isolado de todos. A Laguna Negra fica num meio-termo surreal: paisagem de alta montanha, água de verdade pelo caminho (e isso faz diferença num dia quente) e bem menos multidão do que o Frey, com a opção de pernoite com a Moon Party lá no refúgio.
Para quem já fez Frey e Jakob separados e quer subir de nível, tem a travessia Jakob para a Laguna Negra. É o trecho mais técnico da prova dos 4 Refúgios, pedra solta, terreno que pede atenção em cada passo. A Domi correu esse segmento na prova dos 4 Refúgios — 42 km, mais de 1900 m de desnível, e confirma: é puxado pra caramba, e ela não reclama à toa. Não é trilha de iniciante, é o tipo de percurso que separa quem caminha de vez em quando de quem já tem montanha na perna.
| Trilha | Perfil | Para quem |
|---|---|---|
| Laguna Negra | 14 km, 800 m, água no caminho, refúgio com Moon Party | Quem quer alta montanha sem multidão e com pernoite |
| Refúgio Frey | Mais movimentado, acesso mais árido | Quem quer o clássico mais famoso e social |
| Refúgio López | ~9 km, subida íngreme, vista panorâmica | Quem topa subir forte por uma vista de tirar o fôlego |
| Travessia Jakob → Laguna Negra | Segmento mais técnico, pedra solta | Quem já fez os clássicos e quer o próximo nível |
Se a viagem é mais tranquila e você quer trilhas leves entre o teleférico e o lago, o Circuito Chico ou o Cerro Catedral resolvem bem. O negócio é que, se a ideia é montanha de verdade, a Laguna Negra é uma das mais completas da região, e entra fácil na lista das trilhas inesquecíveis pela Patagônia. A gente leva grupos de brasileiros para exatamente esses cantos, com toda a logística resolvida e quem conhece o terreno na frente.
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Conclusão
A Laguna Negra é uma daquelas trilhas que a gente chegou lá em cima e ficou em silêncio por um tempão. O Gabriel já foi umas 20 vezes e ainda volta, é o favorito dele em Bariloche. Paisagem surreal, bem menos gente do que no Frey, e aquela sensação de ter ganho o dia mesmo depois de 14 km. Se quiser mais roteiros assim já organizados por região e dificuldade, a gente reuniu os favoritos no e-book “Bariloche fora do óbvio”. E se a ideia é fazer esse trekking sem ter que resolver logística, a gente leva grupos de brasileiros para a Patagônia: é só chamar no WhatsApp que conta tudo.
❓ Perguntas frequentes sobre Laguna Negra em Bariloche: para quem essa trilha vale mais que os refúgios clássicos
Precisa de carro para fazer a trilha da Laguna Negra?
Não precisa. As linhas 10 ou 13 saem do centro de Bariloche até a Colônia Suíça, que é o ponto de largada da trilha. A linha 10 passa a cada 30 minutos, das 5h30 às 21h (vale confirmar porque os horários mudam por temporada). Use o cartão SUBE para pagar a passagem, bem mais prático do que andar com trocado.
Quando reservar para dormir no Refúgio Manfredo Segre?
O refúgio tem 60 vagas entre dormitório e camping e lota nos fins de semana de verão, especialmente nos sábados de Moon Party, que são as festas de lua cheia de janeiro a março. Não deixe para resolver na última hora: reserve pelo Club Andino Bariloche com bastante antecedência se a data for de festa.
Dá para levar cachorro na trilha da Laguna Negra?
Infelizmente não. A trilha fica dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi e cão não entra, nem na guia. A gente também precisou deixar o Pacheco em casa nesse dia. Quem viaja com pet precisa garantir uma hospedagem pet friendly na cidade antes de sair para a montanha.
A Laguna Negra é boa para crianças?
Para crianças pequenas, não é a melhor pedida. São 14 km e entre 5 e 7 horas de caminhada, com o trecho final do Caracol bem puxado. Agora, criança acostumada a trilha longa, a partir dos 10 anos e com bom ritmo, dá conta. Saia cedo, que a subida do Caracol no calor do meio-dia tá longe de ser diversão.
O que não pode faltar na mochila para a Laguna Negra?
Água (mesmo com arroios no caminho, leve pelo menos 1,5 L), lanche calórico, corta-vento e uma camada térmica, protetor solar, boné e bota com boa aderência. A temporada vai de dezembro a abril. Fora dela tem neve e gelo na parte alta e aí o rolê muda de nível.
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