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Escrito por
Gabriel e Dominique
Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pacheco, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.
⚡ Resposta rápida
Bariloche tem trilha pra todo nível: do Cerro Campanario (1 km, 45 minutos de subida, vista pra vários lagos) até a travessia dos 4 Refúgios, com 42,5 km e mais de 1.900 m de desnível. No meio do caminho ficam os clássicos de dia inteiro, como o Refúgio Frey (10 km) e o Refúgio López (4 km de subida).
- Trilha curta: Cerro Campanario, 1 km e 240 m de desnível. Ou sobe de teleférico se o joelho reclamar.
- Dia inteiro: Refúgio Frey, 10 km e 700 m de desnível, chegando a 1.700 m de altitude.
- Desafio de atleta: travessia dos 4 Refúgios, 42,5 km e 1.900+ m de desnível acumulado.
Em 45 minutos você chega num mirador com vista pra três lagos. Ou, se o fôlego permitir, enfrenta 42,5 km ligando quatro refúgios de montanha. As trilhas de Bariloche vão do passeio de tarde ao desafio de atleta, e tem opção pra cada perna. A gente já fez o Campanario com o Pacheco esperando feliz no motorhome, subiu o López num dia de céu limpo e encarou o Frey na neve, de raquetes. Ou seja: este guia não é lista copiada. É o que a gente encontrou lá, organizado por nível, distância e vista pra você escolher por onde começar.
Tudo fica dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi, num raio de uns 30 km do centro de Bariloche. Bora ver as 9 opções, das mais tranquilas às que vão te cobrar de verdade.
Índice
Trilhas curtas pra uma tarde em Bariloche

O Cerro Campanario entrega uma vista absurda em 45 minutos de subida. São só 1 km de trilha e 240 m de desnível até os 1.050 m, e lá de cima você vê o Nahuel Huapi, o Moreno e toda a Llao Llao de uma tacada só. A gente não conhece outro rolê curto em Bariloche com essa relação esforço-vista.
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Viajou com criança pequena ou com as pernas já pesadas de outro dia? Dá pra subir de teleférico e fazer só a caminhada lá de cima, sem drama. A trilha a pé é puxadinha (sobe direto, sem enrolação), mas vence rápido. Se quiser ainda mais tranquilo, o Lago Escondido, pertinho do Llao Llao, é praticamente plano: 500 m até o píer, mais 500 m até a Bahía de los Troncos, 1 hora de ida e volta. Dá de tênis mesmo.
Pra fechar, o Cerro Llao Llao chega a 1.080 m em 2 a 2,5 horas de ida e volta, dificuldade baixa a média, com mirantes pros dois lagos. As três ficam na mesma região do Circuito Chico, então dá pra emendar mais de uma no mesmo dia. Tem mais detalhes no guia do Circuito Chico e na lista do que fazer em Bariloche.
No Campanario, suba a pé (45 min) e desça de teleférico, ou o contrário. Você economiza as pernas e ainda fotografa a vista dos dois ângulos. O acesso fica no km 17,5 da Avenida Bustillo: ver no Google Maps.
Endereços úteis da área: Lago Escondido e Cerro Llao Llao. As três são bem sinalizadas e cheias de gente no verão. Você vai e volta sem medo de se perder.
Trilhas de dia inteiro até os refúgios

Dia inteiro livre em Bariloche? É pra isso que existem os refúgios. Você sobe a montanha, almoça numa cabana com vista de laguna glacial e volta com as pernas pesadas e um sorriso enorme. Frey, López e Jakob são as três clássicas, e elas variam bastante em distância e nível de sofrimento, então a escolha importa.
O Refúgio Frey é o mais famoso, e com razão: 10 km de subida desde a Villa Catedral, 700 m de desnível, chegando a 1.700 m de altitude, de 4 a 5 horas só na ida. A laguna no topo, cercada de agulhas de granito que parecem saídas de um cenário de fantasia, é o tipo de coisa que faz a galera parar no meio da trilha só pra olhar. Só que do km 6 em diante a trilha muda de tom, é onde a coisa fica séria de verdade, o desnível aperta e você entende por que os locais gostam tanto daqui. Tem ainda a rota alternativa pelo Lago Gutiérrez, a Picada Eslovena: 14 km e 800 m de desnível, de 5 a 7 horas, com bem menos gente no caminho.
O Refúgio López é o mais curto dos três: 4 km desde o Arroyo López, no km 27 do Circuito Chico, com cerca de 800 m de desnível e topo a 1.620 m, em umas 3 horas. É íngreme, mas rende rápido. Lá em cima a gente puxou conversa com um montanhista argentino que jurou ser a melhor vista de toda a Patagônia, e olha, depois de subir uns dois refúgios por aqui, a gente entendeu muito bem o argumento. Quem quiser continuar sobe até o Pico Turista: 5,8 km, 1.260 m de desnível total e 2.060 m de altitude.
O Refúgio Jakob é o mais longo e o mais remoto: cerca de 18 km desde o acesso na Ruta 252 (Tambo Báez), de 4 a 6 horas, terreno mais selvagem e quase ninguém no caminho. É pra quem já fez Frey e López e quer agora sentir que subiu de verdade, daquele jeito que você volta cansado mas com aquela certeza de que valeu.
| Trilha | Distância (ida) | Desnível | Altitude | Tempo (ida) | Nível |
|---|---|---|---|---|---|
| Cerro Campanario | 1 km | 240 m | 1.050 m | 45 min | Baixo |
| Lago Escondido | ~1 km | plano | ~770 m | 30 min | Muito baixo |
| Cerro Llao Llao | ~3 km | moderado | 1.080 m | 1 a 1,5 h | Baixo-médio |
| Cerro Otto | 8 a 12 km | 300 a 600 m | 1.405 m | 2 a 3 h | Fácil-médio |
| Refúgio López | 4 km | 800 m | 1.620 m | 3 h | Moderado |
| Refúgio Frey | 10 km | 700 m | 1.700 m | 4 a 5 h | Moderado-alto |
| Pico Turista | 5,8 km | 1.260 m | 2.060 m | 4 a 5 h | Alto |
| Refúgio Jakob | ~18 km | ~1.000 m | 1.550 m | 4 a 6 h | Alto |
O Cerro Otto é a alternativa do meio-termo: percurso mais tranquilo de 8 km com 300 m de desnível (umas 4 horas ida e volta) e versão mais completa de 12 km com 600 m, além de teleférico pra quem só quer chegar ao topo sem o sofrimento. O ponto de partida do Frey e do Pico Turista é a Villa Catedral, o mesmo lugar de onde sai o Cerro Catedral. Pro López, o acesso é o Arroyo López.
Pra dormir no Frey, López ou Jakob, reserve com antecedência no verão: o Frey tem cerca de 60 vagas e enche nos fins de semana. Quem só vai subir e voltar no mesmo dia não precisa reservar, mas saia cedo e leve lanche, porque o serviço da cabana pode estar lotado na hora do almoço.
Pra quem quer mais: a travessia dos 4 Refúgios

42,5 km, mais de 1.900 m de desnível acumulado e trechos de pedra solta onde você vai precisar das duas mãos. A travessia dos 4 Refúgios não é trilha de fim de semana, é objetivo de temporada, e muita gente considera o percurso de trail mais técnico da Argentina. A gente fez. Valeu cada metro, mas tá puxado de verdade.
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O percurso clássico passa pelo Frey lá pelo km 10, segue pro Jakob por volta do km 17 (com uns 1.400 m de desnível já no cangote) e, a partir do km 21, o terreno fica sério: pedra solta, trechos expostos e, se der perrengue, você não tem pra quem recorrer. A Domi correu essa travessia se recuperando de uma COVID que tinha pegado um mês antes. O Gabriel passou pelo Jakob em 12º da categoria. O resumo honesto é esse: lindo demais, mas castiga.
Pra quem vai de caminhada, o percurso normalmente se divide em 2 a 4 dias, dormindo nos refúgios. Isso exige experiência real de montanha, equipamento certo e reserva nas cabanas com antecedência. Se você ainda tá começando, vai primeiro ao López, depois ao Frey, conhece o terreno, e deixa a travessia pra uma próxima temporada quando o corpo já sabe o que espera.
“42,5 km e mais de 1.900 m de desnível: a travessia dos 4 Refúgios não é trilha de turista, é objetivo de temporada.”
Esse é o tipo de aventura que a gente vive em grupo: a Vale Trips leva grupos mistos pra fazer trekking na região, com roteiro montado e logística resolvida, então você só se preocupa em caminhar. E pra quem é da corrida de montanha, a Domi conduz o Corre Bariloche, experiências de trail só pra mulheres pelas mesmas trilhas, num grupo pequeno e seguro. Reunimos os melhores roteiros num e-book também, pra quem prefere montar a viagem por conta.
Como chegar nas trilhas sem carro

Boa notícia pra quem não vai alugar carro: as linhas 10 e 20 do ônibus urbano saem do centro e cobrem muito mais do que parece. Passam pelo Cerro Campanario, percorrem o Circuito Chico inteiro e param no Tambo Báez, que é a parada de acesso ao Refúgio Jakob. As trilhas curtas do Llao Llao e o Jakob estão ao alcance de qualquer pessoa com passagem de ônibus no bolso. Quase nenhum guia brasileiro registra isso.
Pra Villa Catedral, ponto de partida do Frey e do Pico Turista, tem linha direta do centro, uns 40 minutos de viagem. Já o acesso ao López, no km 27 do Circuito Chico, fica num trecho menos servido, então táxi ou transfer ajuda bastante. E fica a dica: os horários mudam muito entre verão e inverno, confirma antes de sair.
Uma coisa que pouca gente avisa: cão é proibido nas trilhas dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi. Frey, Jakob e López estão todos dentro do parque. O Pacheco, por exemplo, fica de boa no motorhome enquanto a gente sobe. Se você viaja com pet, mire as trilhas de gestão municipal, tipo o Campanario e parte do Parque Llao Llao, e sempre confirma o status antes de subir.
A dificuldade muda com a estação (e o inverno engana)

A gente fez o Frey na neve, de raquetes, e foi surreal, mas puxado de verdade. O que seria uma subida moderada virou um dia inteiro de esforço, com o caminho sumindo debaixo do branco e o tempo dobrando. É porque de maio a outubro o Frey muda de categoria: sai de “moderado” e vai pra “alta montanha”, com neve e gelo exigindo raquetes ou crampons. Não é exagero, não.
Tem um detalhe que engana quem chega de São Paulo ou Buenos Aires direto pra trilha: o Frey sobe de cerca de 1.000 m para 1.700 m de altitude. Quem faz isso no mesmo dia da chegada às vezes sente mal-estar, dor de cabeça, aquela falta de ar que a gente não esperava. Vale dar um ou dois dias pro corpo se ajustar antes da subida grande, fica a dica.
No verão, o refúgio funciona com restaurante e tem em torno de 60 vagas de pernoite. De maio a outubro, a maioria fecha e você fica sem apoio pelo caminho. A régua é simples: novembro a abril é a janela tranquila pra caminhar; maio a outubro, a montanha cobra equipamento e experiência. Se for no frio, leia nosso guia de quando neva em Bariloche e veja a melhor época pra ir pra acertar a data.
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Mesmo no verão, leve camada térmica, corta-vento e luva pra trilhas de refúgio: lá em cima, perto dos 1.700 m, a temperatura cai rápido e o vento bate forte. A gente usa equipamento The North Face nas montanhas justamente porque o tempo da Patagônia muda do nada.
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Conclusão
Tem trilha pra todo nível aqui, e é isso que faz Bariloche funcionar tão bem para caminhar. A lógica que a gente usa: começa pela tarde mais tranquila (Campanario, Lago Escondido), vai subindo para os dias de montanha inteiro (López, Frey) e, se a ideia é se desafiar de verdade, a travessia resolve. Só não esquece de casar a escolha com a época e o equipamento, porque aqui essa combinação muda muito a dificuldade.
Se quiser fazer o trekking sem a dor de cabeça de logística, reserva de refúgio e “qual trilha cabe no meu preparo”, a gente leva grupos pela região o ano todo. É só chamar no WhatsApp da Vale Trips (trekking misto) ou do Corre Bariloche, se você é mulher e curte corrida de montanha. Bora caminhar com a gente?
❓ Perguntas frequentes sobre Trilhas em Bariloche: 9 opções por nível, distância e vista
Precisa reservar para dormir nos refúgios de Bariloche?
Sim, para pernoitar no Frey, López ou Jakob a reserva é recomendada no verão (nov, abr), quando os refúgios funcionam com serviço completo. O Frey tem cerca de 60 vagas e enche nos fins de semana. Fora de temporada (mai, out) ficam sem serviços. Confirma antes de viajar, porque vagas e datas de abertura mudam todo ano.
Dá para fazer as trilhas de Bariloche sem carro?
Dá, sim. As linhas de ônibus 10 e 20 chegam ao pé do Cerro Campanario, ao Circuito Chico e ao acesso do Refúgio Jakob (parada Tambo Báez). Para Villa Catedral, ponto de partida do Frey, há ônibus específico. As trilhas curtas perto do Llao Llao são as mais fáceis de alcançar de transporte público.
Posso levar meu cachorro nas trilhas?
Dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi (Frey, Jakob, López) cães são proibidos por regra oficial, sem exceção. A gente vive isso: o Pacheco fica no motorhome quando a trilha não aceita cão. Cerro Campanario e parte das trilhas do Parque Municipal Llao Llao têm gestão municipal e regras diferentes. Se viaja com animal, confirma o status de cada trilha antes de subir.
Qual a melhor época para fazer trilhas em Bariloche?
De novembro a abril é a janela ideal: menos neve, refúgios abertos e trilhas como o Frey em dificuldade moderada. De maio a outubro muitas viram alta montanha, com neve e gelo exigindo raquetes ou crampons. Para caminhada tranquila, mire o verão; para neve, vai preparado.
Crianças conseguem fazer alguma trilha em Bariloche?
Conseguem, sim. O Cerro Campanario (1 km de subida, 45 min, ou teleférico) e a trilha do Lago Escondido (plana, cerca de 1 h ida e volta) são tranquilas para família. As trilhas de refúgio, com 4 a 10 km de subida, são para quem já caminha bem. Leva água, lanche e roupa de frio mesmo no verão, porque a temperatura cai fácil nas alturas.
Viva isso com a gente, Vale Trips
A gente leva grupos pequenos (mistos, até 12 pessoas) para viver a Patagônia de verdade: trekking, refúgios e os lugares que descobrimos morando aqui. Logística, guia e hospedagem por nossa conta. Você só chega com vontade de aventura.



