Fachada da Rapanui na rua Mitre, uma das paradas clássicas da rota do chocolate em Bariloche

rota do chocolate de Bariloche: as melhores chocolaterias

Por Gabriel & Dominique· · 15 min de leitura

Escrito por

Gabriel e Dominique

Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pacheco, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.

⚡ Resposta rápida

A rota do chocolate de Bariloche é um trecho a pé na rua Mitre, no centro, onde ficam 17 chocolaterias em umas quatro quadras. Dá pra fazer numa tarde, começando pela Benroth (Mitre 150) e terminando na Abuela Goye (Mitre 442). No inverno a cidade tem até 50% menos turistas e você prova com a loja quase vazia.

  • 17 chocolaterias na rua Mitre, entre as ruas Rolando e Quaglia
  • A primeira da Patagônia foi a Confitería Tronador, de 1948 (não a Rapanui, que é de 1996)
  • Fábrica belga VanWynsberghe fica a 25 km do centro e só recebe com reserva (tá na nossa lista do próximo rolê por lá)
O melhor da rota do chocolate de Bariloche cabe em quatro quadras. A rua Mitre tem 17 chocolaterias entre as ruas Rolando e Quaglia, e você caminha de uma pra outra provando trufa atrás de trufa sem nem perceber quanto tempo passou. A gente chegou aqui em julho de 2021, no meio do inverno, pra buscar nosso motorhome, e descobriu o segredo que quase ninguém conta: fora da alta temporada, a loja fica pra você. Provamos chocolate quente na Mamuschka com o balcão vazio e vaga pra estacionar na porta, que demais. Bora lá que a gente te mostra a ordem certa de fazer essa rota, os endereços de cada loja e a história que quase todo blog erra.

Índice

O que é a rota do chocolate e onde ela fica

Quando você entra na rua Mitre, o cheiro de cacau chega antes da vitrine. É a principal do centro, toda plana, na calçada, a poucos metros do Centro Cívico e da beira do Lago Nahuel Huapi. Não precisa de carro, guia nem ingresso: você entra, prova no balcão e segue pra próxima. E aqui vai o melhor: quase toda loja deixa você experimentar de graça ali na hora, então dá pra andar quadra a quadra provando sem gastar nada até decidir o que levar. E pra quem viaja com cachorro que nem a gente: a maioria das chocolaterias não deixa cão entrar, mas como é tudo rápido no balcão dá pra revezar na calçada, um segura o pet enquanto o outro prova, ou deixar o bicho de boa; o Pacheco fica feliz da vida esperando no motorhome, que é a casa dele. Fica a dica. Simples assim, e surreal de bom.

Essa fama toda não é à toa. Foram os imigrantes italianos, com a tradição alpina toda de confeitaria, que fizeram de Bariloche a capital argentina do chocolate. Hoje a Calle Mitre é praticamente uma vitrine contínua de vidro e cheiro de cacau. Dá pra fazer a rota inteira em 1h30 sem pressa, ou esticar pra uma tarde inteira se você parar pra um chocolate quente no meio. A gente recomenda esticar, sentar num canto com o copo quente na mão e ver a rua passar já vale a tarde inteira. De boa.

O negócio é que a rua Mitre fica coladinha em tudo que você já vai visitar no centro. Se está montando o roteiro, dá uma olhada em o que fazer em Bariloche pra encaixar a rota do chocolate num fim de tarde, entre um passeio de barco e o pôr do sol na pracinha com mate. Esse é nosso programa favorito por lá, mesmo sendo brasileiros.

💡
Dica do Vale Liberdade Quase toda chocolateria da rua Mitre oferece degustação livre no balcão. Fica a dica: vá com fome de doce e prove antes de comprar. Você acerta mais na escolha e ainda leva só o que realmente gostou.

As melhores chocolaterias e por onde começar

Bora lá: a melhor forma de fazer a rota do chocolate de Bariloche é caminhar a rua Mitre numa direção só, do número mais baixo ao mais alto, sem ziguezaguear. Comece pela Benroth (Mitre 150), siga pra Frantom (Mitre 201) e Rapanui (Mitre 202), passe na Del Turista (Mitre 239), na Mamuschka (Mitre 298) e feche na Abuela Goye (Mitre 442). Seis paradas em ordem de endereço, você não anda pra trás, não cansa à toa. Fachada da Rapanui na rua Mitre, uma das paradas clássicas da rota do chocolate em Bariloche Cada uma tem sua cara, e isso é o que faz a rua ser tão boa. A Rapanui é a mais famosa e a maior marca da cidade. É onde você acha o Franui, aquela framboesa congelada banhada em chocolate branco e amargo que virou vício nacional. A Mamuschka é a queridinha de quem entende: embalagem colorida linda, chocolate ao leite que a gente acha um dos melhores da rua, e balcão sempre cheio. Que demais. A Del Turista funciona desde 1964 e tem uma variedade enorme, é a mesma marca daquela chocolateria que a gente ficou olhando de cima da academia em San Martin de los Andes, tortura deliciosa.
Chocolateria Endereço Destaque
Rapanui Mitre 202 Franui e a marca mais famosa
Mamuschka Mitre 298 110 tipos, chocolate ao leite top
Del Turista Mitre 239 Em operação desde 1964
Benroth Mitre 150 (e Beschtedt 569) Tradicional, fundada em 1965
Abuela Goye Mitre 442 Bombons e alfajores
Frantom Mitre 201 Fábrica própria, boa relação custo
Pois é, não existe "a melhor" chocolateria, existe a que combina com você. A Domi, que não tem vergonha nenhuma de amar comida, faria as seis paradas e ainda voltaria pra Mamuschka pedir o chocolate quente de novo. Fica a dica pra quem vem do Brasil: chocolate artesanal argentino sai bem mais em conta que no Brasil, e a variedade é absurda.
🧥

O que vestir em Bariloche?

A rota do chocolate é o programa perfeito pra um dia frio, mas você anda na rua de uma loja pra outra. Bariloche exige roupas certas pro frio. Fizemos um guia completo com tudo que você precisa levar na mala. E tem cupom de 10% na The North Face esperando por você lá.

👉 Seleção de Roupas para o Frio

A história que quase todo mundo erra (Tronador x Rapanui)

A primeira chocolateria da Patagônia não foi a Rapanui. Foi a Confitería Tronador, fundada em 1948 por Aldo Fenoglio, um italiano que saiu de Turim e chegou em Bariloche naquele ano. A Rapanui nasceu só em 1996, quase 50 anos depois, quando Diego Fenoglio, filho do Aldo, vendeu a parte dele na Tronador e abriu a própria marca. Quase todo blog troca essas duas datas e cravar "Rapanui desde 1948" virou um erro clássico de internet (quem já contou essa história direito foram a Forbes Argentina e a La Nación, em reportagens sobre a família Fenoglio e a origem do chocolate em Bariloche). Pois é, esse detalhe muda a história inteira. Foi o Aldo, vindo da Itália no pós-guerra, que plantou a semente do chocolate em Bariloche. O Diego pegou essa herança e construiu com a Rapanui a maior empresa de chocolate da cidade, com 1.400 funcionários. Não é marketing não, é uma família de imigrantes que virou a cara doce da Patagônia argentina em três gerações. Caraca.

"A Confitería Tronador abriu em 1948. A Rapanui só nasceu em 1996. Quem diz que a Rapanui tem 75 anos está contando a história errada."

📘

Nosso e-book

Bariloche fora do óbvio

Os lugares que só quem mora aqui conhece: roteiros, trilhas e cantos fora dos pacotes tradicionais. O jeito mais rápido de montar uma viagem com cara de local.

Conhecer o e-book →
E tem um personagem nessa saga que a gente adora: o Franui. Aquela framboesa congelada coberta de chocolate foi inventada pelo próprio Diego lá na Rapanui, e hoje é exportada pra 19 países. Um docinho que nasceu na beira do Nahuel Huapi e hoje cai no gosto de gente do mundo inteiro. Quando você provar um na loja da Mitre 202, está comendo história de família ali, não um chocolate qualquer.

Chocolate de verdade: quem faz desde o cacau

Olha, nem toda chocolateria de Bariloche produz o próprio chocolate. Muitas compram massa de cacau pronta, importada, e só modelam bombons e barras aqui na cidade. Fazer chocolate desde o cacau, o chamado bean to bar, é outro nível de trabalho. A Mamuschka, fundada em 1989 e com 110 tipos diferentes de chocolate, foi a primeira de Bariloche a produzir a própria massa em vez de só moldar chocolate de fora. Banho de chocolate artesanal na produção da Rapanui, coerente com a seção sobre quem faz desde o cacau Por que isso importa pra quem vai visitar? Porque muda o sabor. Quem faz a própria massa controla a torra, a doçura e a textura do começo ao fim, e o resultado costuma ser um chocolate com identidade própria, que você sente logo na primeira mordida. Quem só modela importado entrega um produto mais parecido com o de qualquer lugar. Não que um seja ruim e outro bom. Mas ajuda a entender por que a Mamuschka e a Rapanui têm gosto tão diferente uma da outra estando na mesma rua.
💡
Dica do Vale Liberdade Pergunta no balcão se o chocolate é feito na casa ou modelado. As lojas que produzem a própria massa têm orgulho disso e vão te contar na hora. É a diferença entre levar uma lembrança genérica e um chocolate que só existe em Bariloche.
Fica a dica sobre o paladar: o chocolate amargo argentino tende a ser menos doce que o brasileiro, e o ao leite costuma ser mais cremoso. Se você é do time do amargo, a rua Mitre é o seu lugar. Se prefere ao leite, prova o da Mamuschka primeiro, que é referência.

Vale sair do centro? A fábrica belga a 25 km

Vale, sim. Se você tiver meio dia sobrando e curtir ver como o chocolate nasce do zero, bora lá. A Chocolaterie VanWynsberghe é uma fábrica de família belga fundada em 2015, na Av. Bustillo km 15.5, a 25 km do Centro Cívico de Bariloche. O esquema é completamente diferente das lojas da rua Mitre: aqui você visita o local de produção e faz degustação, das 10h às 21h, mas só com reserva prévia. Fica a dica: a degustação tem custo separado da entrada, então leve dinheiro em espécie e confirma o valor na hora de reservar. E confirma antes de viajar porque horários e condições mudam. Tabletas de chocolate artesanal, imagem coerente com a parte da rota fora do centro e da produção de chocolate A diferença é essa: na rua Mitre você compra, prova e vai embora, tudo no centro, sem marcar nada. Na VanWynsberghe você sai da cidade, entra numa fábrica de verdade e vê o processo acontecendo. Mas precisa ter agendado antes, sem exceção. A Av. Bustillo é a mesma estrada que leva ao Circuito Chico e ao Cerro Campanário, a gente anda bastante nela. Então dá pra encaixar a visita à fábrica no mesmo dia de passeio pela beira do lago. Fica a dica: junte tudo no mesmo rolê e o deslocamento já vale o dia.
Experiência Loja na rua Mitre Fábrica VanWynsberghe
Localização Centro, a pé Av. Bustillo km 15.5, 25 km do centro
Reserva Não precisa Obrigatória, confirma antes
O que você vê Vitrine e balcão Processo de produção, muito maneiro de acompanhar
Tempo 15 a 30 min por loja Meio período (com deslocamento)
Localização da fábrica no mapa: Chocolaterie VanWynsberghe, Av. Bustillo km 15.5.

Qual a melhor época para a rota do chocolate

Sobre a melhor época, tem um ponto que ninguém explica direito. A Semana Santa é quando rola a Fiesta Nacional del Chocolate, com direito a uma barra gigante de 221 metros montada na rua Mitre. Em 2026 a festa está marcada pra 2 a 5 de abril (confirmar antes de viajar, datas mudam). É surreal, mas é também o pico máximo de turismo do ano: rua Mitre lotada, fila em tudo e um perrengue danado pra estacionar motorhome. No inverno, entre junho e agosto, a cidade tem até 50% menos gente e as chocolaterias ficam quase desertas. Foi exatamente o que a gente viveu. Fomos buscar nosso motorhome em julho de 2021, no frio de verdade, e sentimos na pele o que é Bariloche fora da alta temporada: chocolateria vazia, atendente com tempo pra conversar e vaga pra estacionar sem drama. Que demais. Pra quem quer provar chocolate com calma, o inverno ganha fácil. Se a ideia é curtir a festa e não liga pra multidão, aí sim a Semana Santa faz sentido. Pra montar isso direito, vale ver a melhor época para ir a Bariloche e o guia de Bariloche em julho antes de fechar as datas.
💡
Dica do Vale Liberdade Compre o chocolate no fim da viagem, não no começo. Chocolate derrete no sol e vira massa disforme na mochila. Se for pegar teleférico ou trilha depois, leve uma bolsinha térmica. E no inverno o frio de Bariloche já resolve isso pra você.

Parceiros Vale Liberdade

Depois de anos vivendo na Patagônia, nossos equipamentos são da The North Face. Pra encarar o frio do centro andando de loja em loja na rua Mitre, é a marca em que a gente confia: casaco quente e leve, do jeito que um passeio a pé no inverno de Bariloche pede.

Use nosso cupom exclusivo para 10% de desconto na loja online:

🛍️ Acessar The North Face
CUPOM: VALELIBERDADE

Onde estacionar o motorhome

Quem chega de veículo grande sofre pra estacionar no centro de Bariloche, e a gente sabe disso na pele com nossa Sprinter de 4 toneladas. A jogada é deixar o motorhome fora e ir a pé até a rua Mitre. O Lago Azul Motorhome Parking fica na Av. Bustillo km 2.988, a cerca de 3 km do centro, e resolve bem: você estaciona lá, pega a beira do lago e cai na rota do chocolate sem estresse de vaga. Forçar o centro não compensa, confia. Motorhome branco estacionado com montanha nevada ao fundo, imagem coerente com a seção sobre onde estacionar Endereço do estacionamento no mapa: Lago Azul Motorhome Parking, Av. Bustillo km 2.988. E se você quer entender melhor como é o inverno por aqui, dá uma olhada em quando neva em Bariloche pra alinhar a expectativa de frio com a data do chocolate.

🏔️

Siga nossa vida na Patagônia!

Acompanhe nosso dia a dia morando de motorhome pela Argentina. Trilhas, gastronomia, perrengues e muito mais!

Conclusão

Pois é, galera: quatro quadras na rua Mitre, uma tarde tranquila e a rota do chocolate de Bariloche já tá feita do jeito certo. Seis lojas em sequência, degustação em cada uma, e a sensação de que a vida tá bem. A gente já perdeu a conta de quantas vezes fez esse trajeto, e ele nunca perde a graça. Se rolar, aproveita o sossego do inverno e estica até a fábrica belga pra ver como tudo começa, que demais. A gente reuniu num e-book os cantos de Bariloche fora do óbvio, com os lugares que só quem mora aqui conhece. E se você quer viver a Patagônia argentina na trilha e não só no doce, a gente leva grupos pra fazer trekking na região, com toda a logística resolvida. Chama no WhatsApp que a gente conta como funciona.

🥾

Viva isso com a gente, Vale Trips

A gente leva grupos pequenos (mistos, até 12 pessoas) para viver a Patagônia de verdade: trekking, refúgios e os lugares que descobrimos morando aqui. Logística, guia e hospedagem por nossa conta. Você só chega com vontade de aventura.

❓ Perguntas frequentes sobre rota do chocolate de Bariloche: as melhores chocolaterias

Quantos dias preciso para fazer a rota do chocolate de Bariloche?

Meia tarde resolve, galera. As chocolaterias da rua Mitre ficam num trecho de quatro quadras que você caminha em 1h30 sem pressa nenhuma. Fica a dica: se quiser incluir a fábrica belga na Av. Bustillo km 15.5, separa meio dia extra porque fica a 25 km do centro e exige agendamento.

Dá pra fazer a rota do chocolate com crianças?

Dá, e é um dos passeios mais tranquilos de Bariloche com criança. É tudo plano, no centro, calçada larga na rua Mitre. Várias lojas, como a Rapanui e a Mamuschka, têm degustação livre no balcão, então a molecada prova antes de escolher. Nada de trilha, nada de altitude. De boa.

Como chego na rua Mitre de transporte público?

Fácil: a rua Mitre é o coração do centro, então quase toda linha de ônibus urbano de Bariloche passa perto, desce no Centro Cívico e você já tá a uma quadra da primeira chocolateria. Quem tá hospedado na Av. Bustillo pega a linha que corre pela beira do lago e desce no centro. Fica a dica: o ônibus lá funciona com a carteirinha SUBE, então compra uma numa banca ou kiosco antes, que motorista não vende passagem avulsa. Vindo de motorhome, a gente deixa a Sprinter no estacionamento e faz o último trecho a pé mesmo, que é curtinho.

Preciso reservar alguma chocolateria com antecedência?

As lojas do centro na rua Mitre não precisam de reserva, é só entrar. Quem precisa de agendamento é a fábrica da Chocolaterie VanWynsberghe (Av. Bustillo km 15.5), que só recebe pra degustação com reserva prévia, das 10h às 21h. Confirma antes de viajar porque horários mudam.

Dá pra combinar a rota do chocolate com um dia de neve?

Dá, e é o combo perfeito. No inverno a rua Mitre fica no frio de verdade, então você anda de loja em loja com o chocolate quente aquecendo a mão e, no mesmo dia, sobe pro Cerro Catedral ou pega a Av. Bustillo pra ver a montanha branca. Fica a dica: guarda o chocolate pro fim do rolê, que no frio ele nem derrete na mochila.

Continue a trilha