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Mapuche: Povo Originário da Patagônia e Sua Contribuição à Cultura de Bariloche
Escrito por
Gabriel e Dominique
Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com mais de 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pachê, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.
⚡ Resposta rápida
Os Mapuche são o povo originário da Patagônia e sua contribuição à cultura de Bariloche está em quase tudo que você vê: o nome do lago Nahuel Huapi, a palavra Bariloche, a comida e o artesanato. “Mapuche” significa gente da terra (mapu = terra, che = gente), e o idioma deles, o mapudungun, batizou metade dos lugares da região.
- Nahuel Huapi significa Ilha do Puma; o lago tem cerca de 557 km²
- Bariloche vem de Vuriloche: gente do outro lado da montanha
- We Tripantu, o Ano Novo Mapuche, cai por volta de 24 de junho, no auge do inverno
Índice
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- Quem São os Mapuche e Por Que Isso Importa em Bariloche
- Os Nomes que Você Fala Todo Dia Sem Saber o Significado
- A Contribuição Mapuche à Gastronomia de Bariloche
- Os Lugares Sagrados Mapuche Perto de Bariloche
- Onde Encontrar Artesanato Mapuche Autêntico
- A Música e os Instrumentos Mapuche em Bariloche
- A Cosmovisão Mapuche e a Relação com a Natureza
- Perguntas frequentes
Quem São os Mapuche e Por Que Isso Importa em Bariloche
Antes de Bariloche ter hotel, estrada ou pista de esqui, o território já tinha nome. Cada cerro, cada lago, cada passo dos Andes já era chamado de alguma coisa em mapudungun, o idioma do povo que estava aqui há mais de mil anos. A palavra “mapuche” junta mapu (terra) e che (gente): gente da terra. Hoje há comunidades mapuche vivas em volta de Bariloche, do Cerro Catedral até a estepe.

A gente demorou pra cair a ficha. Você chega em Bariloche achando que veio pro “país do chocolate e do São Bernardo”, tira foto no Centro Cívico e segue. Foi morando aqui, dirigindo o motorhome por estradinhas com nomes impronunciáveis, que a verdade apareceu: tudo isso tem dono original. Cada cerro, cada lago, cada passo de montanha tinha nome e história antes da estrada chegar.
Pois é, e isso muda a viagem. Quando você entende que está pisando em território mapuche, Bariloche para de ser só cenário de cartão-postal e vira um lugar com camadas. Entender esse povo não é aula de história chata: é o que faz você olhar pro o que fazer em Bariloche com outros olhos.
Fica a dica logo de cara: os Mapuche não são “do passado”. São povo vivo, com idioma, bandeira (a wenufoye) e cerimônias acontecendo hoje. Tratar como peça de museu é o erro de turista que a gente quer te ajudar a não cometer.
Comece pelo Museo de la Patagonia “Francisco P. Moreno”, no Centro Cívico de Bariloche. Tem acervo mapuche e fecha aos domingos e segundas. Ver no mapa · Telefone: +54 294 442-2309.
Os Nomes que Você Fala Todo Dia Sem Saber o Significado
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Metade dos nomes de Bariloche vem do mapudungun, o idioma mapuche, e você os repete o tempo todo sem saber o significado. “Nahuel Huapi” é Ilha do Puma (nahuel = puma/onça, huapi = ilha), uma referência à Isla Victoria no meio do lago de 557 km². “Bariloche” vem de Vuriloche: gente do outro lado da montanha. Você anda dentro de um dicionário a céu aberto.

A verdade é que isso virou brincadeira nossa na estrada. A gente dirige e fica tentando adivinhar o significado dos nomes nas placas. Pilcaniyeu, Comallo, Ñirihuau, Cushamen, Epuyén. Quando descobrimos que o Pehuén (a araucária dos pinhões) deu nome inteiro a Villa Pehuenia, onde a gente fez aquela expedição de 4×4 com neve de 1 metro, juntou tudo: o lugar, a árvore, o povo (os Pehuenche, “gente do pehuén”). Surreal.
| Nome que você usa | Significado em mapudungun |
|---|---|
| Nahuel Huapi | Ilha do puma / onça |
| Bariloche (Vuriloche) | Gente do outro lado da montanha |
| Pehuén | Araucária (a do pinhão), a nossa favorita: ficamos parados 10 minutos na neve em Villa Pehuenia olhando pra uma |
| Mapu | Terra |
| Lof / Lafken | Comunidade / lago |
Fica a dica de viajante: tenta pronunciar do jeito local. “Huapi” sai mais como “uápi”, e o “ll” e o “y” argentinos puxam pro “j” chiado. Os argentinos acham graça e adoram explicar. A rixa com a gente é só no futebol mesmo.
A Contribuição Mapuche à Gastronomia de Bariloche
A cozinha mapuche entrou na mesa de Bariloche pelo merkén, pelo piñón e pelo cordeiro no fogo. Merkén é pimenta cacho de cabra defumada moída com sal e semente de coentro, e hoje tempera carnes em vários restaurantes da região. O piñón, semente do pehuén, era a base alimentar dos Pehuenche e ainda aparece em ensopados e farinhas no inverno patagônico.

E olha, a gente entende de comida (a Domi diz que a gente não é pouco gordo, é muito gordo). Quando provamos o merkén pela primeira vez numa carne de cordeiro, parou tudo: defumado, picante na medida, com aquele fundo de coentro. É o tipo de sabor que você procura repetir o resto da viagem. O cordeiro patagônico, que a gente já come desde sempre por aqui, ganha outra vida com tempero mapuche.
Tem também o muday, uma bebida fermentada de trigo ou de piñón, usada em cerimônias. Não é coisa de cardápio turístico, é mais difícil de achar, mas vale perguntar em feiras e festas regionais. O fio é esse: ingredientes que estavam aqui antes de tudo, que a cozinha de hoje foi achar.
“O piñón sustentou os Pehuenche por séculos. Uma única araucária pode viver mais de 1.000 anos e só começa a dar pinhão depois dos 40.”
Procure restaurantes que trabalham com produto regional e pergunte pelo merkén e pelo cordeiro. Reunimos nossos lugares favoritos de comer em Bariloche no nosso e-book “Bariloche fora do óbvio”, justamente os endereços que a gente volta sempre.
Mapuche: Povo Originário da Patagônia e os Lugares Sagrados Perto de Bariloche
Para os Mapuche, povo originário da Patagônia, montanha, lago e floresta não são paisagem: são entidades com vida própria. O Lago Nahuel Huapi, o Cerro Tronador (3.491 m, o ponto mais alto da região) e os bosques de coihue e lenga têm carga espiritual. Cada elemento tem um ngen, um espírito guardião, e a relação com a montanha é de respeito, não de conquista.

A gente sente isso na pele subindo trilha. A Domi já subiu o Refúgio Frei umas 20 vezes, e o Gabriel é viciado na Laguna Negra e no Refugio Lopez. Tem um momento, lá em cima, em que ninguém fala. Quando algo é muito bonito, a gente só faz silêncio ou solta um “meu Deus”. Demorou pra gente entender que essa reverência tem nome e raiz: é mais ou menos como o mapuche lê a montanha o tempo todo.
O negócio é lembrar uma coisa prática e respeitosa: parte do território em volta de Bariloche é de comunidades mapuche. Se você for fazer trilhas pela Patagônia em áreas comunitárias, peça permissão, pague a taxa quando houver e não saia do caminho. É o mesmo bom senso de quem visita a casa de alguém.
Onde Encontrar Artesanato Mapuche Autêntico
O artesanato mapuche autêntico em Bariloche está, principalmente, no Mercado Municipal de Artesanías, no Centro Cívico, onde artesãos vendem direto. As peças tradicionais são o tecido de tear (ponchos, mantas, faixas), a prata mapuche (o trarilonko de cabeça, brincos e o trapelacucha de peito) e a cerâmica. Procure o selo de artesão e pergunte a origem da peça.
Mas é que tem uma armadilha aqui, e a gente já caiu nela viajando: muita “lembrancinha” de loja de rua é industrializada, feita longe dali, sem nada de mapuche além do desenho. A verdade é que peça de verdade tem peso, irregularidade e história. O tecido de tear leva dias pra ficar pronto, então não vai ser o item mais barato da prateleira, e isso é justo.
Fica a dica que vale ouro: converse com quem vende. Artesão de verdade gosta de contar de onde veio a lã, qual comunidade fez, o que significa o grafismo. Se a pessoa não sabe responder nada disso, provavelmente não é autêntico. Comprar direto do artesão é o jeito de o seu dinheiro chegar na mão certa. Bora lá.
Feira de artesanato no Centro Cívico costuma ter mais movimento nos fins de semana e fica a poucos passos da catedral e do lago. Ver no mapa. Leve dinheiro em espécie, alguns artesãos não passam cartão.
A Música e os Instrumentos Mapuche em Bariloche
A música mapuche aparece em Bariloche em festas culturais e cerimônias, e gira em torno de três instrumentos: o kultrún, o trutruka e a pifilka. O kultrún é um tambor semiesférico de madeira e couro, pintado com os quatro pontos do universo mapuche, e marca o ritmo das cerimônias. Não é show de palco: é som com função espiritual.
Quando a gente pegou pela primeira vez o som de uma trutruka, aquele instrumento de sopro comprido que parece um berrante esticado, foi impossível não parar. É grave, longo, atravessa o vale. A pifilka é o oposto: uma flautinha de um tom só, seca, repetida. Junto do kultrún, forma uma base que não se parece com nada que a gente conhece de música brasileira. Que demais.
O negócio é procurar a agenda cultural de Bariloche, principalmente perto do We Tripantu, o Ano Novo Mapuche, lá por 24 de junho. É inverno cheio aqui, então combine com a temperatura de Bariloche nessa época, que fica rondando 0 °C, e leve agasalho de verdade. Som de trutruka no frio cortante é uma experiência e tanto.
O que vestir em Bariloche?
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A Cosmovisão Mapuche e a Relação com a Natureza
A cosmovisão mapuche enxerga a pessoa como parte da natureza, não dona dela. O conceito central é o itrofill mongen, que significa a totalidade da vida: tudo está conectado, do rio ao puma, da araucária à gente. A Ñuke Mapu (Mãe Terra) sustenta, e em troca se pede equilíbrio. A relação com a montanha, então, é de respeito, não de conquista.
A gente, que mora há 5 anos dentro de um motorhome de 4 toneladas dependendo do tempo, do diesel e da água que congela a menos de 0 °C, aprendeu isso na marra. Quando você vive na natureza, ela manda. O que não dá para resolver hoje, resolve amanhã. Faz parte da aventura. É curioso como essa filosofia de estrada conversa direto com o jeito mapuche de ler o mundo.
Pois é, tudo isso fecha um ciclo pra gente. Levar grupos pra correr e fazer trekking aqui (a Domi conduz os roteiros de corrida só pra mulheres) não é só esporte: é entrar num território com história e tratar ele com o respeito que ele pede. Esse olhar é o que separa o turista do viajante.
Fica a reflexão final, no estilo da casa: dá pra subir o Cerro Catedral, andar no Circuito Chico e comer chocolate sem saber nada disso. Mas conhecer os Mapuche faz Bariloche caber inteira na sua viagem, não só a parte bonita do cartão-postal. E isso muda tudo.
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Perguntas frequentes sobre os Mapuche em Bariloche
❓ Perguntas frequentes sobre os Mapuche em Bariloche
O que significa Nahuel Huapi em mapudungun?
Nahuel Huapi significa Ilha do Puma (nahuel = puma/onça, huapi = ilha), em referência à Isla Victoria, no meio do lago. O lago tem cerca de 557 km² e é o coração do Parque Nacional Nahuel Huapi, criado em 1934.
De onde vem o nome Bariloche?
Bariloche deriva de Vuriloche, termo mapuche que significa gente do outro lado da montanha (vuri = atrás, che = gente). Era o nome de um passo cordilheirano usado para cruzar os Andes muito antes da cidade existir.
O que é merkén e onde experimentar em Bariloche?
Merkén é um tempero mapuche feito de pimenta cacho de cabra defumada, sal e semente de coentro. Você acha em feiras de artesanato e mercados regionais de Bariloche, e cada vez mais restaurantes da região usam ele em carnes de cordeiro.
Onde comprar artesanato mapuche autêntico em Bariloche?
O Mercado Municipal de Artesanías, no Centro Cívico de Bariloche, reúne tecelões e prateros que vendem peças feitas à mão. Procure o selo de artesão e peça pra conhecer a origem da peça: tecido de tear, prata mapuche e cerâmica são os mais tradicionais.
Quando é o Ano Novo Mapuche (We Tripantu)?
O We Tripantu, o Ano Novo Mapuche, acontece por volta de 21 a 24 de junho, no solstício de inverno do hemisfério sul. É quando a natureza recomeça o ciclo. Coincide com o auge do inverno em Bariloche, com temperaturas que ficam perto de 0 °C.




