Destape do curanto em Colonia Suiza, com vapor saindo, carnes expostas e folhas grandes abertas ao redor do preparo.

Curanto em Bariloche: O Prato Típico e Onde Provar

Por Gabriel & Dominique· · 15 min de leitura

Escrito por

Gabriel e Dominique

Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pacheco, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.

⚡ Resposta rápida

O curanto é um prato patagônico cozido dentro de um buraco no chão, sobre pedras aquecidas a 350°C, e o melhor lugar para provar em Bariloche é a Colonia Suiza, a 25 km do centro. Funciona todas as quartas-feiras e domingos o ano todo: o fogo é aceso às 11h e o buraco é destapado por volta das 14h, depois de 1h15 de cozimento.

  • Onde: Colonia Suiza, km 42 do Circuito Chico, a 25 km do centro de Bariloche
  • Quando: quartas e domingos; acendimento às 11h, destape às 14h (fica a dica: apareça antes das 11h pra ver o fogo acender do zero, vale muito)
  • O que é: 5 panelas (chorizo, frango, abóbora, carne e cordeiro) cozidas juntas em 1h15
O cheiro chega antes do prato. Por volta das 13h, a Colonia Suiza inteira fica tomada por aquele perfume de cordeiro e chorizo cozinhando debaixo da terra. O buraco onde tudo acontece tem só 15 a 18 cm de profundidade por 1 metro de largura. Surreal. O curanto é a comida típica mais maluca de Bariloche e, diferente de quase tudo por aqui, não sai de um forno nem de uma churrasqueira: sai de dentro do chão mesmo. A gente passa pela Colonia Suiza toda vez que faz o Circuito Chico, e quando você para pra ver o ritual do começo ao fim é outra coisa. Vale muito deixar um dia livre só pra isso. Bora lá que a gente explica tudo: o que é, por que aqui leva carne, como é feito, onde provar e como chegar. Destape do curanto em Colonia Suiza, com vapor saindo, carnes expostas e folhas grandes abertas ao redor do preparo.

Índice

O que é o curanto?

O curanto é um prato da Patagônia cozido dentro de um buraco no chão, sobre pedras aquecidas ao fogo. O nome vem do mapudungun, língua dos Mapuche: "curantu" junta "cura" (pedra) com "antú" (sol), algo como "pedra quente". Na versão de Bariloche, cinco panelas diferentes cozinham juntas debaixo da terra ao mesmo tempo, e o resultado chega no prato com aquele gostinho defumado que nenhum fogão reproduz. Cada panela tem uma combinação diferente, e é isso que faz o prato ser tão farto: chorizo com batata, frango com maçã vermelha, abóbora recheada (com queijo, ervilhas e milho), carne bovina com cenoura, e o famoso cordeiro patagônico com batata-doce. O negócio é que o curanto é menos "um prato" e mais "um evento". Você não chega, senta e pede. Você acompanha o ritual, espera, vê o buraco abrir e só então come. Pois é, vale entender o processo antes de ir pra não achar que é só mais um almoço de restaurante.
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Dica do Vale Liberdade O curanto é servido em porção generosa, com as cinco carnes no mesmo prato. Vá com fome de verdade e sem compromisso à tarde: depois desse tanto de comida a vontade é sentar num banquinho ao sol e não fazer mais nada. A gente, que come bem, sabe do que tá falando.

Por que o curanto de Bariloche leva cordeiro (e não frutos do mar)?

O curanto original é chileno e leva frutos do mar, mas o de Bariloche leva carne (principalmente cordeiro) porque quem trouxe o prato pra cá foram os primeiros colonos da Colonia Suiza, a família Goye, que chegou do Chile por volta de 1895 e adaptou a receita ao que tinham por ali. Longe do mar, o cordeiro patagônico virou o protagonista. Faz todo sentido quando você olha o mapa. No litoral chileno, o curanto (o famoso "curanto en hoyo" da Ilha de Chiloé) é feito com mariscos, mexilhões e batatas. Aqui na Patagônia argentina, do lado de dentro da cordilheira, o que sobra é carne boa: cordeiro, boi, frango. Os colonos suíços que se instalaram na região pegaram a técnica ancestral Mapuche de cozinhar sob a terra e adaptaram ao que tinham à mão. Simples assim. E olha, tem um detalhe que quase ninguém explica: as folhas que cobrem o curanto. Tradicionalmente se usam folhas de nalca e de maqui pra forrar o buraco e segurar o vapor. A maqui é a mais difícil de conseguir, porque só nasce em dezembro, o que faz dela um ingrediente sazonal e meio raro no ritual. É o tipo de coisa que só quem faz o prato toda semana sabe. Fica a dica.

"Longe do mar chileno, os colonos da família Goye trocaram os mariscos pelo cordeiro patagônico por volta de 1895 e criaram o curanto de carne que a gente come em Bariloche até hoje."

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Como o curanto é feito: das pedras a 350°C ao destape

A técnica parece simples demais para funcionar tão bem. Um buraco de 1 metro de largura, uns 15 a 18 cm de fundo, forrado de pedras aquecidas a 350°C. Cinco panelas entram ali dentro, tudo vai coberto com folhas e terra, e 1 hora e 15 minutos depois você tem uma refeição completa. Sem forno. Sem fogo direto. Só o calor retido nas pedras e o vapor da própria terra.

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Fotos do preparo

Curanto em Colonia Suiza, por etapas

Curanto em Bariloche sendo montado no chão, com linguiças, legumes e folhas ao redor do preparo.
Montagem da base com ingredientes distribuídos antes de fechar o buraco.
Ingredientes do curanto em Bariloche sobre pedras quentes, com carnes, linguiças, batatas e folhas grandes ao redor.
Ingredientes já acomodados sobre as pedras quentes, no coração do preparo.
Destape do curanto em Colonia Suiza, com vapor saindo, carnes expostas e folhas grandes abertas ao redor do preparo.
Momento do destape, quando o vapor sobe e o curanto aparece inteiro.

O passo a passo em si já é parte do rolê. Funciona assim:

  1. Acender o fogo (11h): as pedras vão ao fogo e esquentam até ficarem incandescentes, chegando aos 350°C.
  2. Montar as panelas: sobre as pedras quentes entram as cinco preparações (chorizo, frango, abóbora, carne e cordeiro).
  3. Cobrir: cobrem tudo com folhas de nalca (e maqui, quando é época) e depois com terra, para que nada de vapor escape. Parece simples demais, mas é exatamente por isso que esse método sobreviveu séculos.
  4. Esperar 1h15: a comida cozinha no vapor da própria terra, sem forno e sem fogo direto.
  5. Destapar (por volta das 14h): o buraco é aberto na frente de todo mundo, com direito a fumaça, aplauso e um cheiro absurdo de bom.

O destape é o momento que a galera não abre mão. Quando a terra sai, as folhas sobem e o vapor toma conta de tudo, é surreal de ver ao vivo. Fica a dica: chega perto e vê de pertinho, porque é a parte mais fotogênica do dia e mostra na prática por que esse método ancestral ainda funciona tão bem.

Mesas ao ar livre e movimento de visitantes na Colonia Suiza, em Bariloche
Etapa Dado concreto
Temperatura das pedras350°C
Profundidade do buraco15 a 18 cm
Largura do buraco1 metro
Tempo de cozimento1h15 após tampar
Folhas de coberturanalca e maqui (maqui só em dezembro)
Nº de preparações5 panelas diferentes
🧥

O que vestir em Bariloche?

Boa parte do curanto acontece ao ar livre, esperando o destape no frio da Colonia Suiza. E Bariloche não brinca em serviço quando o assunto é temperatura. A gente fez um guia completo com tudo que você precisa levar na mala. Tem cupom de 10% na The North Face esperando por você lá.

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Onde provar curanto em Colonia Suiza

Tem pelo menos cinco lugares para provar curanto dentro (ou perto) da Colonia Suiza, a 25 km do centro de Bariloche: La Feria Regional, Patio Pucará, Curantos Bariloche, Restaurante Victor Goye e o Paradero Olaf (esse na ruta 79). Como ficam todos no mesmo vilarejo, dá para chegar, dar uma volta e decidir na hora. Cada um tem uma pegada, e a escolha muda bastante a experiência do dia:
  • La Feria Regional: o coração da Colonia Suiza, com barracas de artesanato e comida por todo lado. É o mais animado, o que tem mais clima de festa, e a nossa dica número um para quem vai pela primeira vez. Você pega a porção e come num banquinho ao ar livre vendo o movimento.
  • Restaurante Victor Goye: ligado ao sobrenome dos colonos que trouxeram o curanto para cá, é a opção mais restaurante mesmo, com mesa, cadeira e atendimento sentado. Bom para quem quer conforto e não quer ficar em pé comendo.
  • Patio Pucará: um meio-termo entre a feira e o restaurante, espaço de pátio com mesas. Costuma funcionar bem para família com criança.
  • Curantos Bariloche: foco no prato, sem firula. Para quem quer ir direto ao ponto.
  • Paradero Olaf: fica na ruta 79 (o acesso de terra), um pouco fora do miolo da feira. Boa pedida para quem chega por esse lado ou quer sossego longe da aglomeração.
Se é a primeira vez na Colonia Suiza, bora pela La Feria Regional primeiro: dá uma volta, vê o ritual do destape, pega o clima, e depois decide onde sentar. Como todos os pontos servem o mesmo prato tradicional, a diferença real é o ambiente que você quer, feira agitada ou mesa mais de boa.
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Dica do Vale Liberdade O curanto sai em quantidade limitada e costuma acabar logo depois do destape das 14h. Se você tem um lugar específico em mente (o Victor Goye, por exemplo), liga antes e pergunta se dá para reservar porção, principalmente em fim de semana e alta temporada. Fica a dica: confirma antes de sair de casa, porque horários e condições mudam.

📍 Colonia Suiza no Google Maps · 📍 Restaurante Victor Goye

Que dia e horário ir: o ritual das 11h ao destape das 14h

O curanto rola toda quarta e todo domingo, o ano inteiro. O fogo acende às 11h, e o buraco é destapado lá pelas 14h. Se quiser viver o ritual do começo ao fim, chega antes das 11h e bloqueia a manhã toda.

O roteiro do dia fica mais ou menos assim:

  1. Antes das 11h: chega cedo para pegar um bom lugar e ver o acendimento do fogo, que é o início de tudo.
  2. Entre 11h e 14h: aproveita a feira, o artesanato, os miradores do Circuito Chico ali do lado e um mate ao sol. Essa espera parece longa no papel, mas a gente mal percebe, de boa, passeando por ali.
  3. Por volta das 14h: volta para o buraco para ver o destape, que é a parte mais bonita do rolê inteiro.
  4. Depois das 14h: monta o prato e parte pra cima. É hora.

Um ponto que confunde muita gente: a Fiesta Nacional del Curanto é um evento separado do funcionamento regular. Ela acontece no final de março (a 12ª edição está marcada para 22/03/2026) e é uma festa grande, com música, feira maior e muito mais gente. Se quer o clima de festival, mira março. Se quer comer curanto com calma numa quarta ou domingo qualquer, o esquema regular resolve o ano inteiro. Fica a dica: confirma antes de ir, que datas e horários podem mudar.

Momento Horário O que acontece
Acendimento11hPedras vão ao fogo (350°C)
Espera11h às 14hFeira, miradores, mate
Destape~14hBuraco é aberto após 1h15
Dias regularesquartas e domingosO ano todo
Fiesta Nacional22/03/2026Evento especial (12ª edição)

Se tá planejando os dias em Bariloche, vale casar o curanto com um dia de Circuito Chico e conferir também o que fazer em Bariloche no restante da viagem.

Como chegar a Colonia Suiza

Colonia Suiza fica no km 42 do Circuito Chico, a 25 km do centro de Bariloche, e você chega de carro por dois caminhos: a Rota Provincial 77, asfaltada, ou a Rota Provincial 79, de terra. O Circuito Chico completo tem uns 60 km de miradores e lago na janela saindo da cidade, e a Colônia aparece bem no meio do trajeto.

O jeito mais comum é pela 77: você sai pela Avenida Bustillo, segue o Circuito Chico, vai parando nos miradores que aparecem pelo caminho e pega o desvio para a Colonia Suiza. Simples assim. A 79 de terra é uma opção pra quem curte estrada mais rústica, mas pede atenção com o piso, principalmente depois de chuva, porque as condições mudam bastante. Fica a dica: confirme antes de sair.

Pra quem viaja de motorhome, como a gente, a 77 é a escolha certa. A de terra com veículo grande depois de chuva é um perrengue que dá pra evitar tranquilamente. E olha, sem carro dá sim, de ônibus urbano ou numa excursão do Circuito Chico, mas você fica preso no horário deles, o que complica demais tentar pegar o acendimento das 11h e o destape das 14h no mesmo passeio.

💡
Dica do Vale Liberdade Do centro de Bariloche até a Colonia Suiza são 25 km que rendem uns 40 a 50 minutos de carro, porque o Circuito Chico é pra ir devagar, parando nos miradores. Saia cedo, com folga, pra não chegar em cima da hora do acendimento das 11h.

Vai passar por Bariloche pela primeira vez? Ajuda entender onde fica Bariloche, conferir a melhor época para ir e ver como funciona o aeroporto da cidade para montar a logística.

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Conclusão

O curanto é daquelas coisas que a gente não esperava que fosse tão boa assim. Comida saindo de dentro da terra, na frente de todo mundo, feita por gente que aprendeu isso com o avô do avô. É ritual, é história, é almoço. Tudo junto, num mesmo rolê. Se cair uma quarta ou um domingo no seu roteiro, encaixa. Galera, vale o dia inteiro. E se você quer conhecer Bariloche além do óbvio, com os cantos que a gente ama e que não aparecem no roteiro padrão, a gente reuniu tudo no nosso e-book Bariloche fora do óbvio. Quem prefere viver a Patagônia com a gente de perto, também levamos grupos de brasileiros para fazer trekking pela região. Bora planejar?
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❓ Perguntas frequentes sobre curanto em Bariloche: o prato típico e onde provar

Precisa reservar para comer curanto na Colonia Suiza?

Nos restaurantes como Victor Goye e Patio Pucará, vale reservar em alta temporada e fim de semana. O curanto sai em quantidade limitada e, depois do destape das 14h, costuma acabar rápido. Fica a dica: se for num sábado cheio, não deixa para decidir na hora não. Na feira o esquema é diferente: chega, pega a fila e compra a porção. E como a Colonia só rola quartas e domingos, já é metade do planejamento feito só em escolher o dia certo.

Dá para ir à Colonia Suiza sem carro?

Dá, mas tem que planejar. São 25 km do centro, dentro do Circuito Chico, e o ônibus urbano passa com horários bem espaçados. Se você quer ver os miradores do Circuito Chico no mesmo dia e chegar na hora certa pro curanto, o mais de boa é alugar carro ou fechar uma excursão que já inclua a parada lá. Vai evitar bastante perrengue de logística.

Curanto é bom para ir com crianças?

É ótimo, que demais essa parte. O ritual de acender o fogo às 11h e destapar o buraco às 14h prende a criançada de um jeito que não tem explicação. E a feira da Colonia tem espaço aberto, artesanato, outras comidas. O único cuidado: o intervalo entre o acendimento e o destape é de pouco mais de duas horas. Leva um lanche e alguma coisa para a criança se entreter nesse tempo.

Quem não come cordeiro consegue aproveitar o curanto?

Consegue, de boa. O curanto clássico vem em cinco panelas e só uma é de cordeiro. As outras quatro são chorizo com batata, frango com maçã, abóbora recheada com queijo e milho, e carne bovina com cenoura. Quem não curte cordeiro monta o prato com o resto sem dó. Já vegetariano estrito precisa avisar antes, porque tudo cozinha junto no mesmo buraco.

Vale mais ir num domingo comum ou na Fiesta Nacional del Curanto?

Depende do que você tá buscando. O domingo comum é mais tranquilo, você vê o ritual bem de perto e até conversa com quem tá fazendo. A Fiesta Nacional del Curanto, que acontece no final de março (a 12ª edição tá marcada para 22/03/2026), tem muito mais gente, música e feira maior. Mas também tem muito mais fila. Para uma primeira vez, sem estresse? Pega um domingo normal. Você aproveita o ritual de verdade, sem correr.

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