
Patagonia Run: O Guia de Quem Correu a Prova 3 Vezes
Escrito por
Gabriel e Dominique
Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pacheco, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.
⚡ Resposta rápida
A Patagonia Run é o maior festival de trail running da Argentina e acontece todo ano em San Martín de los Andes, com 6 distâncias que vão de 10 km a 160 km (100 milhas). São cerca de 6.000 corredores em 5 dias, número da própria organização, e a prova está na 16ª edição em 2026, rodando desde 2010. Fica a dica: o que realmente pega não é a altitude (o ponto mais alto do traçado, o Cerro Colorado, fica por volta de 1.650 metros pelo perfil oficial da prova), é o desnível acumulado e o clima de outono andino, que muda sem avisar.
- 6 distâncias: 10k (D+600m), 21k (D+1.400m), 42k (D+2.530m), 70k (D+4.300m), 110k (D+6.020m) e 100 milhas/160k (D+9.221m)
- Largadas no Regimento RCM4 (Rota 62, fora da cidade) e todas as chegadas na Plaza San Martín, no centro
- Drop bag limitada a 3 kg (5 kg no posto Colorado só pra 100 milhas), e a gente jura que esse limite importa mais do que parece no papel
Uma vez por ano, San Martín de los Andes troca a calmaria de vila de montanha por milhares de corredores de trilha e vira o coração da Patagonia Run, com 6 distâncias saindo do meio dos Andes direto para os lagos. A Domi correu essa prova três vezes, sentiu na pele o 70k inteiro (incluindo a troca de drop bag no km 53 com o joelho já reclamando), e é por isso que este guia não é papo de folheto: é o que a gente aprendeu de verdade sobre distâncias, clima, obrigatórios e logística. Bora lá, que tem bastante coisa pra você decidir qual distância encarar.
Índice
- O que é a Patagonia Run (e as 6 distâncias)
- Nunca corri trail: qual distância escolher?
- Como é o percurso e o clima em abril
- Como se preparar: obrigatórios e drop bag
- Largada, chegada e como chegar em San Martín
- Conclusão
- Perguntas frequentes
O que é a Patagonia Run (e as 6 distâncias)
San Martín de los Andes em abril vira outra coisa. A cidade senta num vale cercado de lago, bosque de lenga e vulcão, é literalmente rodeada de montanha por todos os lados, e é isso que faz dela a sede perfeita da prova: você larga do meio da cidade e em minutos já está subindo trilha de verdade, sem translado infinito pra chegar no trecho bonito. Na semana do evento a vila inteira entra no clima: cada café tem corredor de mochila de hidratação esticando a panturrilha, o assunto de bar vira subida e desnível, e a Plaza San Martín fica coberta de gente de todo canto do continente. A gente sentiu isso na pele morando ali, é festival mesmo, não é força de expressão. E é trail running de verdade: montanha, vento, desnível de respeito e paisagem que deixa a gente de queixo caído.
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A graça do festival é que ele cabe pra quase todo mundo. Tem o percurso de 10 km pra quem quer sentir o gostinho do trail sem se enterrar, e tem a 100 milhas pra quem sonha com uma das ultras mais duras do continente. No meio do caminho, quatro opções que sobem de intensidade em degraus bem definidos. Olha as 6 distâncias com o desnível positivo (o famoso D+, quanto você sobe no total) lado a lado:
| Distância | Desnível (D+) | Perfil de quem corre |
|---|---|---|
| 10 km | 600 m | Estreia no trail, corredor de rua que quer sentir do que se trata |
| 21 km | 1.400 m | Já treina subida, quer o primeiro desafio sério |
| 42 km | 2.530 m | Maratonista de montanha com experiência |
| 70 km | 4.300 m | Ultramaratonista, terreno técnico |
| 110 km | 6.020 m | Ultra avançado, gestão de noite e frio |
| 100 milhas (160 km) | 9.221 m | Elite e veteranos de ultra pesada (a gente torce da linha de chegada) |
A Domi passou por quase todos esses degraus, dos 30 km de Ushuaia até o ultra, e confirma: cada distância é um mundo completamente diferente do anterior.
Uma coisa importante: esses perfis podem mudar de uma edição pra outra. O traçado é ajustado conforme condições da montanha, e o próprio site oficial avisa que o desenho pode variar. Use a tabela como bússola, não como lei de pedra, e sempre confira os números atualizados em patagoniarun.com antes de fechar a inscrição.
E tem um esclarecimento que quase nenhum post em português faz: a Patagonia Run (San Martín de los Andes) é uma prova diferente da Patagonia Bariloche by UTMB. São eventos distintos, em cidades diferentes, com sistemas de pontuação diferentes. Se você está atrás de Running Stones do circuito UTMB, é a de Bariloche que você quer, não esta. Muita gente confunde as duas e acaba se inscrevendo na prova errada, então fica a dica: confira o nome completo antes de pagar, e já vai avisando o bolso, porque a inscrição está em linha com as ultras internacionais da Patagônia, entre as mais caras do calendário sul-americano.
Nunca corri trail: qual distância escolher?
A pergunta que a gente mais recebe antes da Patagonia Run é essa. E a resposta começa com um aviso: o número de quilômetros mente. O que define a dificuldade real são dois detalhes que a maioria ignora: o desnível acumulado (o famoso D+) e o corte de tempo da prova. Esses dois dizem mais sobre o que vai rolar lá na montanha do que qualquer quilometragem.
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Pra você se situar: os 10k têm D+600m, bom começo pra quem está chegando no trail agora. Os 21k sobem 1.400m, um alvo honesto pra quem já treina ladeira. As distâncias longas pedem experiência real de montanha, não só fôlego. A 100 milhas, só pra ter noção, são 160,3 km com 9.221 metros de D+ e corte de tempo de 42 horas.
O erro clássico de quem vem da rua é medir tudo pela distância. Não funciona assim. Vinte e um quilômetros de montanha com 1.400 metros de subida são um universo diferente de 21 km planos no asfalto. Você caminha em vários trechos, usa músculos que a rua não usa, e o relógio anda devagar. A Domi aprendeu isso na marra: logo que começou no trail, achou que dava pra repetir na montanha a mesma quilometragem do asfalto, saiu pra um treino de 18 km em subida e se lesionou, uma contratura na lombar com problema no ciático que a deixou uns três a quatro meses parada. Perrengue real. Respeite o degrau.
Pois é, e tem mais uma coisa que surpreende quem chega na prova achando que altitude vai ser o vilão: não é. A cidade fica a 640 metros acima do mar e o ponto mais alto do percurso, o Cerro Colorado, chega a cerca de 1.650 metros. Ninguém vai passar mal de falta de ar. O que machuca mesmo é a altimetria acumulada (aquele D+ da tabela), somada ao terreno técnico e à exposição ao vento, ao frio e à chuva. É por isso que a gente insiste: escolha pela subida total e pelo corte de tempo, não pelo número na largada.
Fica a dica pra se situar de vez: se você corre 10 km de rua com tranquilidade, os 10k de trail já vão te desafiar de um jeito gostoso. Se você fechou uma meia maratona e treina subida uma vez por semana, os 21k são um alvo honesto com um ano de preparo. Os 42k pra cima pedem base de montanha construída ao longo de temporadas, não de meses.
"Na montanha, 21 km com 1.400 m de desnível cansam mais que 30 km planos. Meça a prova pelo D+, nunca só pela distância."
Se você é mulher e a ideia de correr na Patagônia acende algo aí dentro mas dá aquele frio na barriga de encarar sozinha, saiba que a gente leva grupos só de meninas pra correr na região pela Corre, conduzidos pela Domi. É outra pegada: você chega, tem roteiro pronto, treino guiado e um grupo de até 12 mulheres pra dividir o nervosismo e a emoção. A Domi conta mais lá no fim.
Como é o percurso e o clima em abril
O percurso da Patagonia Run começa em San Martín de los Andes, a 640 metros de altitude, e sobe até o Cerro Colorado, lá pelos 1.650 metros, cruzando bosques densos, subidas longas e trechos de pedra solta que pedem atenção. No 70k, o Colorado aparece duas vezes: primeira por volta do km 25, e de novo no km 53. A prova acontece em abril, pleno outono andino: pela média histórica do SENAMHI pra San Martín de los Andes, a máxima do mês gira em torno de 15°C e a mínima cai pros 4°C, com chuva espalhada por vários dias e neve pipocando nas cotas mais altas.
O terreno é o que os corredores mais comentam depois da prova. Tem single track (trilha estreita de um corredor só de largura) que vira funil nos primeiros quilômetros, floresta fechada, descida técnica com pedra solta que exige atenção total pra não torcer o tornozelo. Não dá pra ir olhando a paisagem o tempo todo, ainda que a paisagem seja de tirar o fôlego. O Lanín, aquele vulcão de cume nevado que domina a região, aparece de relance em alguns pontos e é surreal de bonito.
Sobre o Cerro Colorado aparecer duas vezes no 70k: é um dado estratégico que quase ninguém explica direito. A segunda passagem, lá pelo km 53, é um jogo mental completamente diferente da primeira. Na ida você está inteiro, animado, subindo com energia. Na volta você chega ali cansado, com o corpo cobrando, e é exatamente onde fica a drop bag da prova. A Domi viveu isso na pele: a segunda subida do Colorado não é a mesma montanha, é você mais gasto contra o mesmo desnível. Saber que isso vem te ajuda a guardar energia lá na primeira passagem.
O clima de abril merece respeito de verdade. Não é o frio extremo do inverno, mas é traiçoeiro pela variação. Você pode largar num dia de sol com 15°C e pegar chuva com vento e neve na parte alta poucas horas depois. A Patagônia não avisa. É por isso que a gestão de camadas de roupa, que a gente explica na próxima seção, é a diferença entre terminar bem e passar frio de verdade lá em cima. Pra entender melhor o quão imprevisível é a região, vale ler nosso guia sobre temperatura em Bariloche, que fica pertinho e tem o mesmo padrão de clima de montanha.
Como se preparar: obrigatórios e drop bag
Na fila da largada da prova, a organização confere a mochila uma a uma. É nesse momento que você agradece ter levado tudo certinho, ou roga pragas por ter esquecido algo em casa. O preparo tem duas frentes: o treino, que é conversa de meses, e a lista de material obrigatório. Os itens mais comuns são lanterna de cabeça, corta-vento, impermeável e hidratação mínima. A drop bag, aquela mochila que fica com a organização pra você resgatar num ponto do percurso, tem limite de 3 kg, com exceção do posto Colorado, que aceita até 5 kg só pra quem corre as 100 milhas.
Cada item obrigatório faz sentido quando você entende o contexto real. A lanterna de cabeça é porque várias largadas acontecem de madrugada: a 110k sai às 21h, a 100 milhas às 14h de sexta e vira a noite. O corta-vento e o impermeável existem porque neve em cota alta não é exceção em abril, é rotina. E a hidratação mínima é que os postos de abastecimento podem ficar até 12 km um do outro. Doze quilômetros de montanha sem água não é perrengue, é emergência.
Mas a parte que quase ninguém explica direito é a drop bag. Não é detalhe logístico, é o que muda seu conforto, sua proteção térmica e sua chance de terminar a prova. No 70k, ela fica no posto Colorado, no km 53. A lógica é montar pensando em como você vai chegar ali: cansada, com o corpo pedindo socorro, com o frio começando a apertar no fim da tarde. A Domi viveu exatamente isso. Chegou ao km 53 com o joelho doendo pra valer, a dor tinha apertado de vez a partir do km 45, e foi a parada bem planejada que segurou a prova de pé.
Pensando em camadas e por momento de prova, a drop bag funciona mais ou menos assim:
- Roupa de troca: uma segunda camada, tipo fleece, e um par de meias secas fazem milagre pro moral e evitam bolha e hipotermia no fim do dia. Parece detalhe, mas quem já chegou no km 50 com os pés encharcados sabe que não é.
- Nutrição de reforço: géis, algo mais palatável e uma estratégia pro estômago, que costuma fechar nas horas longas. Um truque da Domi: quando o estômago trava, bochechar o gel em vez de engolir de uma vez já dá energia sem enjoar.
- Proteção extra: luva reserva, buff, e polaina se houver neve no trajeto. A polaina evita que terra e neve entrem no tênis, coisa que arruína um pé num terreno técnico bem rápido.
- Bateria: se seu relógio não aguenta a prova toda, um carregador aqui salva. A Domi ficou sem bateria depois dos 60 e poucos km e fechou a prova sem saber quanto faltava. Fica a dica.
Como a Patagonia Run é prova de frio, vento e possível neve, a escolha das camadas faz diferença de verdade. A gente usa The North Face pela performance em clima de montanha: corta-vento leve que cabe na mochila, segunda camada térmica que aquece sem pesar. Se for montar seu kit, dá pra usar o cupom VALELIBERDADE pra 10% de desconto.
Sobre treino, uma última coisa prática: a base pra prova é subida. Muita subida. Não adianta acumular quilometragem plana. Quem mora onde não tem montanha treina em escada, esteira inclinada e ladeira, sempre progredindo. E respeita a periodização com uma assessoria de trail. Foi exatamente a falta disso que derrubou a Domi lá no começo, ela já viveu esse perrengue na pele, lembra da lesão? Fica a dica: respeita a periodização, porque é ela que segura seu corpo inteiro pra encarar a montanha.
Largada, chegada e como chegar em San Martín
Tem um detalhe na prova que pega bastante gente de surpresa: você larga num lugar e termina em outro. As largadas acontecem no Regimento de Cavalaria RCM4, na Rota 62, fora do centro de San Martín, e todas as chegadas são na Plaza San Martín, bem no coração da cidade. Os horários da edição 2026 foram: 21k às 09h de quarta, 10k às 12h de quarta, 42k às 09h de quinta, 100 milhas às 14h de sexta, 110k às 21h de sexta e 70k às 08h30 de sábado.
Essa separação muda tudo no planejamento. Você não volta pro carro depois da prova: você termina na praça central, longe do Regimento. A organização costuma oferecer traslado da cidade até a largada, o que resolve a ida. Pra volta, o ideal é já ter a hospedagem a pé da Plaza San Martín, porque depois de horas de montanha ninguém quer caminhada extra. Se for de carro ou motorhome, como a gente, o macete é deixar o veículo perto da chegada e usar o traslado pra ir à largada, nunca o contrário. Fica a dica: confirme horários de traslado e largada antes de viajar, porque mudam a cada edição.
Chegar a San Martín de los Andes é mais fácil do que parece. A cidade tem aeroporto próprio, o Chapelco, e também dá pra chegar pelo de Bariloche, a cerca de 200 km (três a quatro horas de carro) pela linda Rota dos Sete Lagos, ou pelo de Neuquén. Muita gente que vem do Brasil aterrissa em Bariloche e sobe de carro, aproveitando a estrada. San Martín é pequena, tem cara de vila de montanha, faróis baixos no centro pra preservar o visual, e tudo relativamente perto a pé, o que ajuda muito na semana da prova. O endereço da largada, pra localizar no mapa, é o Regimiento RCM4, e a chegada fica na Plaza San Martín.
Se der pra emendar a corrida com uns dias de viagem, faz isso. San Martín está na mesma rota de Bariloche e Villa La Angostura, e a região é cheia de lagos e trilhas. A gente morou 6 meses ali e, cara, não cansava do Lago Lacar bem no centro. Que demais. Se rolar um café da manhã no Vierra Deli no dia seguinte, medialuna molhadinha na frente do lago —, já começa bem a recuperação. Só não marque trilha pesada pro dia seguinte à prova: suas pernas vão implorar por descanso. Pra montar o pós-corrida, dá uma olhada no que a gente separou sobre San Martin de los Andes e nas trilhas pela Patagônia.
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Conclusão
Essa prova cabe no seu calendário. Pra valer. Seja você estreante mirando os 10k ou uma corredora de olho nas 100 milhas, o segredo é o mesmo: treina subida de verdade, respeita o clima maluco de abril e escolhe a distância com o desnível e o corte de tempo no radar. Faz isso e você chega lá.
E se você é mulher e quer viver a Patagônia sem encarar a logística sozinha, a Domi conduz grupos de até 12 meninas pela Corre, ela já correu a Patagonia Run três vezes e conhece cada pedreira desse trail na pele. Roteiro pronto, treino guiado e alguém do lado que sabe exatamente o que te espera. Chama a gente no WhatsApp da Corre e bora transformar esse sonho em data marcada.
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Quero saber maisCorre, corrida feminina na Patagônia
Grupos só de mulheres para correr as trilhas da Patagônia em segurança, conduzidos pela Domi (ultramaratonista). Não é competição: é viver a montanha, ganhar confiança e dividir a estrada com mulheres que também buscam aventura.
❓ Perguntas frequentes sobre Patagonia Run: guia da prova por quem correu três vezes, distâncias e como se preparar
Tem limite de vagas por distância?
Tem sim, galera. Cada distância tem um número fechado de vagas, e as longas — 70k, 110k e 100 milhas, costumam lotar bem antes das curtas, às vezes com lista de espera antes mesmo de a inscrição abrir de vez. Fica a dica: quando abrir, não fica namorando a tela. Se o seu sonho é uma das ultras, garante a vaga cedo e confirma a data de abertura no site oficial, porque muda de uma edição pra outra e não avisa duas vezes.
Como funciona a inscrição, passo a passo?
É tudo pelo site oficial, patagoniarun.com, galera. A inscrição abre uma vez por ano, e a data muda de uma edição pra outra, não dá pra cravar mês fixo aqui, então entra no site e na newsletter deles pra ser avisado na hora que abrir. O caminho é esse: escolhe a distância, cria seu cadastro, anexa o comprovante que eles pedem (seguro/atestado) e paga, que cartão internacional resolve. As longas — 70k, 110k e 100 milhas, esgotam rápido; quando lotam, abre lista de espera, e vale entrar nela porque sempre pinga desistência. Fica a dica: deixa cadastro e cartão prontos ANTES de abrir, porque nas ultras a vaga voa.
O que acontece se eu não bater o corte de tempo?
Cada distância tem cortes de tempo em pontos do percurso, e se você não passa no horário, a organização te tira da prova ali mesmo, é o famoso corte. Não é vergonha nenhuma, faz parte da aventura: eles fazem isso pela sua segurança, porque de noite, no frio da montanha, ninguém quer corredor gasto e sozinho lá em cima. Fica a dica: estuda os cortes antes e monta seu ritmo pra chegar nos postos com folga, principalmente nas ultras, onde o relógio é tão adversário quanto a subida.
É seguro correr trail na Patagônia? Preciso de experiência?
A prova é bem estruturada: postos de hidratação, cortes de tempo e lista de itens obrigatórios de segurança como lanterna, corta-vento e hidratação mínima. E olha, quem tá te falando isso é a Domi, que além de ultramaratonista é resgatista certificada, então segurança na montanha pra gente não é papo solto, é ofício. O perigo real não é o terreno, é o clima. Abril é outono andino, com chuva e neve nas cotas mais altas. Para os 10k e 21k, condição física básica e treino de subida resolvem. Dos 42k pra cima, experiência prévia em montanha faz toda a diferença, não é frescura, é necessidade.
O que levar na bagagem de mão no voo até San Martín?
Leva o essencial da corrida na mão, sempre, galera. Tênis de trail, mochila de hidratação e a roupa de prova vão contigo na cabine, mala despachada some ou atrasa, e você não acha tênis de trail do seu número em vila de montanha na véspera, acredita. Géis e barrinhas também na mão. O que a gente manda no porão é o resto: roupa de passeio, carregador, coisa que dá pra repor sem drama. Só liga que nos voos regionais até o Chapelco o bagageiro é apertado e às vezes pedem pra despachar a mala de cabine no portão, por isso o kit que decide sua prova fica sempre com você, nunca na mala que sai da sua mão. Fica a dica: tira foto da mochila montada antes de fechar, ajuda demais no checklist.



