
Patagonia Run: O Guia de Quem Correu a Prova 3 Vezes
Escrito por
Gabriel e Dominique
Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pacheco, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.
⚡ Resposta rápida
A Patagonia Run é a maior corrida de trail da Argentina, com mais de 6.000 corredores em San Martín de los Andes, dentro do Parque Nacional Lanín. Em 2026 é a 16ª edição (a primeira foi em 2011). Tem distância para todo mundo, do 12k ao 100 milhas, e o desafio de verdade é a altimetria acumulada somada ao frio, não a altitude.
- 7 modalidades em 2025, de ~600 m de desnível (10k) a ~9.200 m (100 milhas)
- Frio real: um corredor registrou -6 °C de madrugada durante a prova, e a Domi jura que a camada extra não é opcional
- Datas de 2027: de 7 a 11 de abril, em San Martín de los Andes (640 m de altitude)
A Domi já cruzou a largada da Patagonia Run três vezes. Na segunda, foram 70 km com neve caindo na montanha: neve de verdade, no meio da prova. E quando a gente pergunta se voltaria, a resposta vem antes de terminar a pergunta. Isso já diz tudo sobre o que você vai encontrar por lá.
A prova acontece em San Martín de los Andes, dentro do Parque Nacional Lanín, com mais de 6.000 corredores na floresta andina. Tem 12 km para quem está dando os primeiros passos no trail e 160 km para os malucos de estimação. Neste guia a gente conta tudo: as distâncias, o que o frio de verdade faz com você na hora H, como chegar e como se preparar, com os números que a Domi viveu na pele.
Índice
- O que é a Patagonia Run?
- Quais são as distâncias e desníveis?
- Como chegar em San Martín de los Andes
- Como é correr na Patagonia Run (o frio e o percurso por dentro)
- Como se preparar e o que levar
- Vale a pena?
- Perguntas frequentes
O que é a Patagonia Run?
A Patagonia Run é a maior corrida de trail running da Argentina. Acontece em San Martín de los Andes, dentro do Parque Nacional Lanín, mais de 400 mil hectares de floresta andina, lagos e o vulcão Lanín olhando pra você durante boa parte do percurso. A edição de 2026 é a 16ª (a primeira rolou em 2011) e, segundo a organização oficial da prova, reúne mais de 6.000 corredores de dezenas de países numa mesma semana. É surreal o tamanho disso.
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Pra você ter ideia do tamanho do rolê, a semana da prova transforma San Martín de los Andes numa vila de corredor. A gente morou 6 meses lá, conhece bem aquela quietude de cidade pequenininha, cheia de casas de madeira, sem semáforo no centro, de frente pro Lago Lácar. E de repente enche de gente de tênis de trail e mochila de hidratação andando pra cima e pra baixo. Tem expo, retirada de kit, palestra, e aquele friozinho de fim de tarde que já avisa o que vem na montanha.
Pois é: o que faz a Patagonia Run ser especial não é a altitude (San Martín fica a modestos 640 m acima do nível do mar). É o pacote inteiro. Trilha técnica de verdade, floresta patagônica fechada, subidas longas e um clima que muda o dia todo. É prova de montanha de verdade mesmo, com postos de controle, resgate e uma organização que já roda há mais de uma década.
Quais são as distâncias e desníveis?
Sete modalidades, do vertical curto até o ultra de 160 km. E olha, antes de você escolher a sua, tem um número que importa mais do que qualquer outro: o desnível positivo, o D+. Na montanha, o que quebra a perna não é só a distância, é o quanto você sobe. Um 42k com 2.530 m de subida acumulada é outro bicho completamente diferente de uma maratona no asfalto. Isso muda tudo.
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A tabela abaixo tem os dados de 2025. Fica a dica: a distância mais curta era 10k em 2025 e virou 12k no regulamento de 2027. Sempre confira o edital do ano que você vai correr.
| Modalidade | Desnível positivo (D+) | Pra quem é |
|---|---|---|
| PRVertical | ~720 m | Subida pura e curta, pra quem gosta de sofrer rápido |
| 10k (virou 12k em 2027) | ~600 m | Primeira vez em trail, com base de corrida |
| 21k | ~1.400 m | Quem já corre meia e quer encarar montanha |
| 42k | ~2.530 m | Base sólida de trail e treino de subida |
| 70k | ~4.300 m | Primeira ultra de montanha, foi a que a Domi correu |
| 110k | ~6.020 m | Ultra experiente, gestão de noite e frio |
| 100 Mi (160k) | ~9.200 m | Ultra hard, vários dias de leitura de clima |
Olha essa escada: dos ~600 m no 10k até os ~9.200 m das 100 milhas. Esse número, o D+, é o coração da Patagonia Run. A Domi resume bem depois de correr os 70k: todo mundo chega com medo da altitude, mas o que realmente te quebra é a altimetria acumulada, o terreno técnico e o frio. Não é o ar rarefeito, é a perna que sobe o dia inteiro.
"O desafio da Patagonia Run não é a altitude, são os até 9.200 m de subida acumulada somados ao vento e ao frio."
Se é a sua primeira vez aqui, nossa dica sincera é começar pelo 12k ou pelo 21k. Não tem vergonha nenhuma nisso, pelo contrário. A gente já viu muita gente boa de asfalto se lesionar por achar que dava pra transferir a quilometragem direto pra montanha. A própria Domi passou por isso no começo, com uma contratura na lombar que a tirou uns três meses da corrida. Escolher a distância certa é o primeiro treino.
Como chegar em San Martín de los Andes
Três aeroportos, uma cidade. San Martín de los Andes fica a 640 m de altitude no oeste da Neuquén, e dependendo de onde você pousar chega em 22 km ou em quase 400. As datas de 2027 vão de 7 a 11 de abril, então pesquise passagem cedo porque esse rolê começa bem antes da largada.
Corre, corrida feminina na Patagônia
Grupos só de mulheres para correr as trilhas da Patagônia em segurança, conduzidos pela Domi (ultramaratonista). Não é competição: é viver a montanha, ganhar confiança e dividir a estrada com mulheres que também buscam aventura.
O Aeroporto Chapelco (MAS) é o sonho: 22 km e você já tá na cidade. O problema é que ele tem poucos voos, então nem sempre encaixa na rota vindo do Brasil. Por isso muita gente cai em Bariloche, que tem bem mais opção de voo e fica a 190 km por uma estrada que, sinceramente, a gente vai de boa porque vira passeio por si só. A gente já fez esse trecho um monte de vezes de motorhome e é surreal, um lago diferente a cada curva na famosa Ruta de los Siete Lagos. Neuquén (NQN), a 400 km, costuma ter passagem mais em conta, mas o traslado é longo, umas 4 a 5 horas de carro. Tá puxado, faz parte da aventura.
| Aeroporto | Distância até a cidade | Quando compensa |
|---|---|---|
| Chapelco (MAS) | 22 km | Se achar voo direto, é o mais prático |
| Bariloche (BRC) | 190 km | Mais voos e a estrada dos Sete Lagos de brinde, que demais |
| Neuquén (NQN) | 400 km | Passagem mais em conta, mas planeje umas 4-5h de carro |
Uma pergunta que sempre chega: a Patagonia Run fica na Patagônia mesmo? Fica, e no coração dela. San Martín de los Andes é Patagônia argentina raiz, na mesma região de Bariloche e do Circuito Chico. Saindo de Buenos Aires, você está a mais de 1.500 km ao sul, por isso o avião é o caminho natural. A alternativa de ônibus da capital passa de 20 horas de viagem. Pois é. Se você já pensa em emendar a viagem, Bariloche encaixa fácil, que é ali do lado.
Como é correr na Patagonia Run (o frio e o percurso por dentro)
Você entra na floresta e some. A Patagonia Run é pedra solta, raiz, single track e subidas que não têm fim. Com frio. Um frio que aperta de madrugada: alguém registrou -6 °C durante a prova. Nos 70k, a Domi cravou 50 km em 6h31 e o GPS fechou perto de 74 km reais no fim, mais do que os 70 prometidos. É prova longa, fria e mais comprida do que o número diz.
O terreno é o primeiro susto pra quem vem do asfalto. Single track fechado logo na largada, pedra solta que exige atenção a cada passo, desnível que não dá trégua. Nos 70k, a referência central é o Paso Colorado, que a Domi cruzou no km 25 e de novo no km 53. Saber disso antes muda tudo: você não corre "70 km em linha reta", você administra o esforço entre esses dois pontos. Na segunda passagem pelo Colorado fica a drop bag, onde dá pra trocar de roupa, reforçar a comida e se blindar pro frio do fim do dia. Fica a dica.
O frio é o outro protagonista. Como a largada e o corte de tempo pegam madrugada e fim de tarde, você corre em camadas: começa gelada, esquenta na subida, congela na descida exposta ao vento. A Domi conta que num momento da prova o vulcão Lanín apareceu perfeito na frente dela, mas o celular estava desligado pra economizar bateria e ela não conseguiu registrar. Coisas de ultra: você troca a foto pela sobrevivência.
E tem a parte que ninguém conta: correr com o corpo pedindo socorro. A Domi já correu a prova de trail mais técnica de Bariloche, os 4 refúgios (42 km com 1.900+ m de desnível, passando por Refúgio Frei e Refúgio Jacob), com gastrite e ainda se recuperando de covid, e teve que decidir parar antes do último refúgio pra preservar a saúde. Nos 70k da Patagonia Run, o joelho já vinha sentido e travou a partir do km 45. O relógio morreu depois dos 60 e poucos km e ela fechou a prova sem saber exatamente quanto faltava. A filosofia dela pra esses momentos é a melhor coisa que já ouvimos: "o adulto tem exatamente 30 minutos pra chorar descontroladamente e depois segue". Ouvir o corpo, saber a hora de continuar ou parar, faz parte da prova. Não é fraqueza.
Como se preparar e o que levar
Treino focado em altimetria, drop bag bem pensado e nutrição adaptada pro frio: esses três pontos decidem a prova muito antes de você pisar na largada da Patagonia Run. A Domi passou pelos erros clássicos em cada um deles, e o que a gente conta aqui é o que ela aprendeu na marra.
Começa pelo treino. Correr montanha é subir e descer, e não adianta só acumular quilômetro plano. A Domi aprendeu isso da pior forma: levou pra trilha a mesma quilometragem que fazia no asfalto e se lesionou. O negócio é buscar assessoria, entrar aos poucos, treinar subida forte e descida técnica (que castiga o joelho tanto quanto a subida castiga o pulmão) e, se der, já ir treinando no frio antes da prova. Base de meses, não de semanas.
O drop bag não é detalhe logístico, é o que mantém você dentro da prova. É ali, no km 53 do 70k, que você troca a camada encharcada de suor por um fleece seco, reabastece e se prepara pro frio da noite. Pensar em cada bag como uma "estação de recomeço" muda tudo. Os limites variam por distância, e planejar o que vai em cada um já é parte do treino:
| Distância | Drop bags permitidos | Peso |
|---|---|---|
| 70k | 1 bag | até 3 kg |
| 110k | 2 bags | 3 kg cada |
| 100 Mi (160k) | 3 bags | até 5 kg na rota Colorado |
Limites de referência de edições recentes. Confirmar no regulamento oficial do ano (regras mudam).
Fica a dica: organize o bag por saquinhos etiquetados (comida, roupa térmica, luva reserva, bateria) pra não ficar catando com a mão gelada lá no km 53.
A nutrição no frio tem uma pegadinha que 100% dos guias em português esquecem: o gel solidifica e vira uma pasta dura que não desce. A Domi passa por isso toda vez, então a estratégia dela migra de sólido pra gel ao longo do percurso. E quando o estômago trava, o que acontece muito em ultra, o truque é bochechar o gel em vez de engolir de uma vez: o corpo capta a energia mesmo com o estômago fechado. Carregue o gel no bolso mais próximo do corpo pra ele não endurecer antes de chegar lá.
Equipamento de verdade faz diferença aqui, não tem conversa. Jaqueta corta-vento e impermeável, camada térmica, luva, gorro e polaina. A Domi já correu sem polaina em terreno técnico e saiu com o pé cheio de terra, e já teve que sair correndo pra comprar luva nova na expo porque a antiga rasgou na véspera. Não é hora de economizar na camada que te mantém aquecida no meio da montanha. A gente usa The North Face pro frio, vento e neve da Patagônia, e tem o cupom VALELIBERDADE com 10% off pra montar a mala.
E aqui a Domi fala como resgatista certificada, não só como corredora: aquela lista de itens obrigatórios que a organização exige (jaqueta impermeável, segunda camada térmica, gorro, luva, apito e manta térmica) não é burocracia pra atrasar sua largada, é o que te tira do sufoco quando o tempo vira lá em cima. E ela diz que o sinal pra parar é sempre o mesmo: quando você começa a tremer sem conseguir esquentar nem em movimento, ou a cabeça fica lenta pra decidir uma coisa boba, não teima, meu povo, para, se agasalha na hora e chama o resgate no posto mais próximo. Ler o clima que muda e respeitar esse limite é o que separa um perrengue com boa história de uma notícia ruim.
Se bater a vontade de viver essa prova sem quebrar a cabeça com inscrição, hospedagem que lota e treino no escuro, é pra isso que a Domi conduz os grupos da Corre, só de mulheres, na Patagônia. A gente cuida da logística, do treino específico de montanha e do frio, e você chega focada em correr, cercada de outras meninas vivendo o mesmo desafio. E se quiser explorar a região a pé antes ou depois, a gente leva grupos de trekking pela Patagônia com a Vale Trips também. Todas as trilhas favoritas e os cantos fora do óbvio de Bariloche a gente reuniu no nosso e-book, que é o melhor primeiro passo pra desenhar a viagem.
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Vale a pena correr a Patagonia Run?
Vale, e muito mais do que só pela medalha. A Domi resume assim: o que ficou de verdade foi o ciclo inteiro, treinar, sofrer um pouco, chegar lá e correr no meio daquelas paisagens que parecem surreais. A chegada foi linda, claro. Mas o processo foi o que marcou de verdade. Se você sonha em correr trail de verdade num cenário que vai te deixar de queixo caído, a Patagonia Run é essa corrida.
No fim, a Patagonia Run não é uma linha de chegada, é aquele ciclo inteiro grudado na memória: o medo na véspera, o frio da madrugada, a neve caindo no meio da montanha e a paz esquisita de quando tá tudo doendo mas você ainda tá de pé, viva, correndo num lugar surreal. É isso que fica quando a medalha some na gaveta. Se leu até aqui e sentiu aquela fisgada no peito, o próximo passo é um só: vai lá no nosso canal e assiste a Domi correndo os 70k com a neve caindo, do jeito cru que foi, pra sentir na pele se esse chamado também é seu. A gente já sabe a resposta. Bora que vamos?
❓ Dúvidas frequentes sobre a Patagonia Run, respondidas por quem correu três vezes
Com quanta antecedência preciso me inscrever e reservar hospedagem?
Fica a dica: as vagas nas distâncias longas (70k, 110k, 100 milhas) somem meses antes da prova. San Martín de los Andes é uma cidade pequenininha e a semana da corrida lota tudo. Assim que confirmar a inscrição, já fecha a hospedagem, com 4 a 6 meses de antecedência no mínimo. Quem vai em grupo organizado chega com tudo isso já resolvido.
Precisa de carro para se locomover durante a prova?
Não precisa, não. O centro de San Martín é compacto, dá pra ir tudo a pé, e a organização oferece traslado para as largadas mais distantes. Se quiser explorar os lagos nos dias livres, aí o carro ajuda muito. Mas pra prova em si, de boa. Só confirma os horários dos traslados antes de embarcar, porque mudam de um ano pro outro.
Dá para fazer a Patagonia Run sendo iniciante em trail?
Dá, sim, começando pela distância certa. Os 12k e os 21k são acessíveis pra quem já corre e tem uma base, mesmo sem muita experiência de montanha. A partir do 42k, exige preparo específico de altimetria e de frio. Ser honesta com o próprio nível é o que faz a diferença. A Domi aprendeu isso na prática: forçou quilometragem cedo demais e levou uma lesão. Faz parte da aventura, mas dá pra evitar.
Quanto custa e o que pesa no orçamento?
O que mais pesa não é a inscrição. São as passagens até a Argentina e a hospedagem na semana da prova, quando a cidade enche toda. Comida e vinho em San Martín saem em conta pra brasileiro. Equipamento de frio é o investimento que não vale economizar, e o cupom VALELIBERDADE dá 10% na The North Face pra montar a mala certinho.
É seguro correr sozinha ou é melhor ir em grupo?
A prova é bem organizada: tem postos ao longo do percurso, equipe de resgate e lista de itens obrigatórios de segurança. O que cansa é a logística toda antes de chegar lá. Inscrição que esgota, hospedagem disputada, traslados pra acertar, treino específico pra não virar perrengue no percurso. Ir num grupo guiado tira isso do seu caminho e ainda te cerca de outras mulheres vivendo o mesmo desafio. É exatamente o que a Domi faz na Corre.



